Luiz Alberto Machado
Dali fomos pro Sítio Ouricuri, que também era chamado de
Pindorama, repleto de coqueirais. Lá estavam palmeiras ariris, também chamadas
de alicuris, uricuris, nicuris. Pra quê tanto nome, meu Deus!
Vamos tomar água de coco, saborosa.
Lá tem o pau-ferro Jucá – na verdade, tupi yu'ká. É madeira densa, pesada e dura. Que
nasce entre pedregosos e fica alta de mais de 30 metros. Grandona, mesmo! A copa
imensa para sombreamento. Com floração amarela no verão. Casca lisa, com tons
de bege e cinza. Serve para construir casas ou navios, mobiliário, carvão e
coque, alimenta animal, medicinal, para produção de mel, arborizar as cidades,
embelezar as paisagens, repor as matas.
Tu que és um varro de marca
Só merece uma sela
E isto te ofertamos
Porque custa bagatela!
Conta-se que um casal se uniu em matrimônio e foram ser ali
felizes para sempre. Com pau ferro construíram sua cabana e, entre outras
coisas, cuidavam, pescavam e viviam. Corriam e conheciam tudo pela região.
Depois de muito trabalharem e passearem, gostavam mesmo de ficar à sombra desse
pau ferro, olhando as nuvens e o céu de dia, as estrelas de noite. Um dia o
rapaz foi trabalhar e, quando retornou, encontrou apenas pegadas: seu amor
sumira. Nunca mais seria vista. Uns disseram que ela se afogou no rio, ou que
foi raptada por ruindade qualquer. Ninguém sabia ao certo. Ele então saiu pelos
quatro cantos do mundo e nada de encontrá-la. Chegando de volta, encarou o pau
ferro e nele subiu para chorar, lá no alto arrancou uns galhos e fez uma cruz
de madeira e enfincou-la no topo da árvore. Depois desse dia nunca se viu.
Eita!
Quando menos esperávamos fomos saudados pelo povo da Vila
Neves! E jogamos conversa fora, quanta pinoia, verdadeiro aranzel!
Um brinde quero erguer:
Não se concebe tão grande asneira,
Não se imagina tanta tolice.
Não se perdoa tanta besteira,
Não se comenta tanta sandice!
Vamos mudar de assunto!
Olha o riacho da Pracinha! E lá vão os rios Chata e
Canhoto...
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