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Saturday, September 12, 2026

TORÉ XUKURU

 

TORÉ XUKURU

 

A Terra toda em festa

O céu era todo azul

O colorido se desembesta

No toré do Xukuru!

 

A gente cruzou o rio Ipanema e, depois, o Ipojuca. Olha ali os riachos: lá estavam o dos Pebas, Cana-Brava, do Boi, Santana, Gravatá, Baraúnas, Liberal, Papagaio, do Belo e Salobro. Passaram os açudes Pão, Ipaneminha, Carlos de Brito e Tambores, além das lagoas Grande, do Bicheiro, do Jacu, do Algodão e do Anzol.

 

- Ué, a gente num tá atrás do rio Una?

 

As águas seguiam para um lago, para um rio ou para o mar...

 

- E o rio Una?

 

Igualmente: uma parte vai para um lago ou lagoa, outra para outros rios e segue o seu curso natural até o mar.

 

Eis que nos lá longe uma grande fogueira. Era o sítio Pesqueiro e muita gente ao redor: de Cimbres, Mimoso, Mutuca, Papagaio e Salobro; de Ipanema, Cajueiro, Beira Mar, Capim de Planta e Cacimbão. É gente, hem? Chegamos então na serra do Ororubá. E lá já tinha muito mais gente e chegando mais.

 

Eis que um pajé xukuru apareceu para todos os presentes ao redor da imensa fogueira:

 

Um dia o Grande Espírito apareceu em meu sonho anunciando um presente para todos. Era a oferta de Tupã para todos nós e se encontrava em determinado lugar. Quando amanheceu reuni toda tribo e seguimos para o lugar indicado. Lá chegando, o presente havia sumido. Reviramos todas as imediações e nada de acharmos a dádiva. Resolvemos então esperar. Ali ficamos por horas. Aí chegaram sapos, pássaros, onças, macacos, enfim, todos os animais, que indagaram a razão pela qual ali estávamos reunidos. Explicamos por conta de uma doação feita por Tupã que deveria estar aqui para servir a todos nós. Os animais então ajudaram a encontrar a dádiva e, depois de muito revirar todas as cercanias, encontraram um jacaré escondido no meio do matagal.

 

- Que estais fazendo aí, jacaré?

 

- Estou cochilando.

 

O macaco desconfiou. A onça astuta provocou:

 

- Ô, compadre jacaré, aí bestando e perdendo a festa!

 

- Que festa?

 

- Não sabe?

 

- Não.

 

- Está rolando a maior festa lá na beira do rio.

 

- É mesmo?

 

- É.

 

O jacaré alvoroçou-se e saiu às pressas, deixando um rastro de fumaça. Foi então que ao chegar todos interrogaram:

 

- Cadê o presente de Tupã, jacaré?

 

- Sei disso não.

 

- Ele tem algo escondido, vamos futucá-lo pra saber o que é!

 

E todos começaram a revirar o jacaré de ponta à cabeça e logo descobriram o que ele escondia. Foi o cambaxirra-de-peito-branco quem delatou: Ele está com o Fogo. Com a pressão das perguntas, o jacaré depôs:

 

- Foi, escondi pra mim. Vi cair do céu uma bola dourada, pensei que fosse ouro e queria só pra mim.

 

Diante da descoberta alguns se amedrontaram com as chamas, outras se assustaram com as brasas, mas, enfim, conseguiram pegá-lo, cada qual com sua chama reluzente, mantendo-o aceso em gravetos e puderam leva para casa. Ao término disso, todos celebraram o evento, quando, então, apareceu o escritor Gilvan Lemos lendo em voz alta: Não só aqui em Santana da Serra, no Brasil inteiro. A propósito, é verdade que as terras da mina foram tomadas dos índios Xacuris, antigos habitantes do vale Iurubá? Depois do que ele falou, todos se reuniram e invocaram a deusa Tamaîn, a protetora dos Xujurús e de Cimbres! Ela apareceu toda radiante! Aí começou o toré! A dança atravessou o tempo e ampliava o espaço com todos os caciques e pajés que já se foram e ali ressuscitavam. Era a hora da bênção de Tamain: ali o Una era o terceiro vértice da Trindade da Vida, juntamente com o Ipanema e o Ipojuca!

 

Viva Tamaîn, Pai Tupã e o Cacique Xikão!!!”

 

Depois das celebrações, Pai Lula falou:

 

- Aqui é Pesqueira, a terra do doce e da renda renascença. Agora vamos pra terra da amizade! Simbora!

 

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