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Saturday, October 03, 2026

CAETÉS, AVENTURAS DO NITOLINO NO VALUNA

 

 Imagem: Estação Ecológica de Caetés (ESEC – Caetés - CPRH)

 

CAETÉS

 

Luiz Alberto Machado

 

No outro dia seguimos pro mato real da mata virgem! Foi quando a gente ouviu a história do pavão... Um cantador começou explicando que a mata parecia um carnaval porque lá havia todo tido de coisas coloridas, passarinhos, borboletas, vagalumes, apesar da escuridão, havia sempre uma fresta de luz. Andava ele pelo mundo afora, quando, uma vez, apareceu um pavão vistoso, com seu peito azul, sua cauda multicolorida, toda graça e beleza. Era uma ave mágica, com certeza, até falava:

 

- Sou para protegê-lo das coisas maléficas e promover a sua boa-sorte.

 

O pavão contou pra ele da vida, das coisas que enfrentou, das lutas que perdeu. Mostrou a beleza da serra, os rios caudalosos, as matas densas. Ensinou tudo: a vida e o que vem depois dela, como enfrentar serpentes, como prever a chuva e a morte. Depois abriu-se em pleno espalhando sua cauda colorida ricamente e dedicou uma de suas penas. Com o tempo constatei: as penas dele não desbotam nem perdem o brilho, salvam moças de ficar pra vitalina, decidem a sorte do encontrado. Esse o pavão com seu jeito todo elegante, sua plumagem tão maravilhosa, seus passos firmes e lentos, empoleirado nos parapeitos ou no galho de alta árvore.

 

Foi daí que o repentista criou o cordel do Romance do Pavão Misterioso, que ninguém sabe direito se é de Melchíades ou de Camelo, contando a história de Evangelista e Creusa.

 

Pavão misterioso

Pássaro formoso

Tudo é mistério

Nesse seu voar

Ai, se eu corresse assim

Tantos céus assim

Muita história eu tinha pra contar...

 

E juntou gente para ouvir tudo que contara. Era gente de Ponto Alegre, Atoleiro, Barriguda, Bastões, Vila Araçá, Várzea Comprida, Várzea Suja e Queimada Grande.

 

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