Chegamos enfim ao nosso destino!
E agora Pai Lula?
Vejam! Uma nuvenzinha nos acompanhou
por toda trajetória.
Ao nos darmos conta dela, ela então
espichou-se e foi vindo primeiro com uma brisa agradável, depois uma ventania
medonha que a gente nem conseguia se segurar.
Uma voz estranha repetia em nossos
ouvidos: Não tenham medo!
Lá embaixo quanta coisa linda.
O vento foi diminuindo e a gente
logo chegou no topo da serra da Boa Vista. Era um local também muito alto:
- 900 metros -, disse Pai Lula.
A nuvem nos deixou em chão firme no
pico e, depois, ficou por cima da gente.
De repente, uma chuvinha fina.
Um pingo repousou na palma da minha
mão.
Era apenas uma gota e me sorriu:
- Estou voltando.
- Como assim?
- Estava aqui, evaporei. Condensei
nessa nuvenzinha. E me precipitei da chuva. E precisava juntar-me às outras na
primeira poça que encontrasse.
Foi aí que a chuvinha engrossou um
pouco, tornou-se torrencial e a gota escapuliu e escorreu pra poça...
Ela infiltrou-se no solo para onde
não se sabe:
- Um lençol freático ou aquíferos –,
disse Pai Lula, e deles, transpiram até um olho d’água... É aí que emerge o
manancial...
Entreolhamo-nos e não entendemos
nada.
Ali Pai Lula nos mostrou:
- É aqui que nasce o rio! Era um
minadouro: aflorava do coração da Terra, ali brotavam águas cristalinas. Surgia
a fonte, da qual formavam-se pequenos filetes de água que seguiam a gravidade,
escorriam pelas fendas da superfície, formavam trilhas, rieiras, valetas,
brejos, pântanos, córregos, riachos, regatos, ribeiros, ribeirões, enxurradas,
torrentes.
Eita!
Na nascente, Pai Lula então abriu o
mapa e viu o caminho que tínhamos todos que percorrer.
E nos disse:
- Vamos pro toré xukuru!
E seguiu a jusante.
Bora!
Bastou que arrumássemos para seguir
viagem, quando novamente uma ventania medonha nos pegou desprevenidos e
seguimos ao sabor dos ventos...

