BRINCARTE

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Saturday, September 19, 2026

TERRA DA AMIZADE

 


Imagem: Painel do centenário (1906-2006) -Acervo do historiador André Cardoso, do blog Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco (MFPE)

 

TERRA DA AMIZADE

 

Era manhã quase dia

O galo anunciava o Sol

A gente então logo via

As terras de Sanharó.

 

Pai Lula assim disse:

 

- É aqui Jenipapo, terra de Ararobá, Ororubá. Lugar de abelha zangada.

 

Paramos diante de uma imensa colmeia e a abelha-rainha veio nos receber: Permissão concedida, tenham boa viagem! Seguimos ... Fomos dar no folguedo: a quadrilha Rastapé na Praça da Vaca! Que espetáculo bonito!

 

A vaca amarela pulou a janela

Quem falar primeiro vai cuidar dela!

 

Vaca amarela babou na panela

Quem falar primeiro come toda baba dela!

 

Ao final da festa rumamos pro sítio Barriguda. Lá havia uma celebração com Samba de Coco, verdadeiro carnaval. Fomos saudados com tiros de bacamarte! Logo apareceu Sancoquinho no maior festejo. É que emendaram com a Festa do Leite, comandada, de um lado, pelo Manuel Fernandes Bezerra; e, do outro, pelo Joaquim Francisco de Assis Aquino. Aqui tem maestro que só!

 

- Vamos tomar leite que é dia de festa!

 

Foi lá que ouvimos a hestória de quem conta um conto aumenta um ponto, assim: era uma vez uma moça muito bonita, festeira, prestativa, alegre, porte esbelto com sua pele clara, uma tiara nos cabelos e olhos vivos bem pretos, batom vermelho nos lábios, roupas justas e formas generosas. Era muito meiga com sua beleza celestial sobre os saltos altos, chamando atenção de todos. Trazia no dedo anular um anel de cristal e se vestia com esmero e elegância. Ela ajudava aos doentes, acompanhava os enfermos, velava pelos moribundos, era, de fato, muito bondosa. Nos festejos cívicos vestia-se da bandeira do Brasil, com uma saia de listas verdamarelas, brancazuis, como também durante as procissões ou romarias. Celebrava seu aniversário distribuindo licores aos que foram e os que não puderam felicitá-la no dia festa, servido numa bandeja que prosseguia na distribuição pelo dia seguinte aos faltantes. Como era muito adorada pelos homens da cidade, ela sempre recusou intimidades aos pretendentes. Porém, um dia enamorou-se de um médico e, com ele, viveu intenso amor. Era ela Penélope, ele Odisseu. Era um idílio de causar inveja em todos os moradores do lugar. Assim noivaram e, na véspera do casamento, seu marido adoecera gravemente. Mesmo à beira da morte ela com ele se casou. Vestida de noiva permaneceu e, dias depois, seu amado morreu. Ela então recolheu todos os pertences do amado e pendurou na sala de sua casa, junto ao seu vestido de noiva. Viúva manteve-se e, sempre que solicitado o seu estado civil, ela dizia: Casada! E assim repetia: − A senhora é casada? Sou. E cadê seu marido? Está trabalhando. Doutras vezes respondia: − Meu marido está viajando. Seguiu sua vida triste, mantendo-se às procissões e romarias sempre vestida de noiva. Via-se claramente que ela emagrecia, muito empalidecera e passou a usar de óculos escuros. No dia de finados ela pernoitava no cemitério, junto ao túmulo do marido, vestida de noiva. Viveu assim muitos anos a viúva intocável, até falecer e ser enterrada ao lado do marido. O sonho dela era de quando morresse finalmente reencontrasse seu marido no céu e consumasse as suas núpcias. Muitos afirmavam vê-la perambulando à noite pelas ruas da cidade. Quando não, ainda hoje, muitos a veem ao lado do leito de qualquer pessoa enferma nas casas e hospitais, ou mesmo seguindo as procissões e romarias. A viúva virgem vestida de noiva segue para sempre.

 

E pra quebrar o clima, logo ouviu-se:

- Essa a terra do leite e do queijo!

 

Entre abraços e gentilezas de despedidas, renovados convites:

 

Venham em maio, pra cavalgada das amazonas!

Também em junho, pra festa do curral!

Ou pra festa do Peba!

Ou senão, no fim de dezembro pra festa do beco!

 

E lá ia o rio Ipojuca e passamos pelo distrito de Mulungu, quando ouvi Pai Lula dizer:

- Lembro & vivo... Vambora!

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Saturday, September 12, 2026

TORÉ XUKURU

 

TORÉ XUKURU

 

A Terra toda em festa

O céu era todo azul

O colorido se desembesta

No toré do Xukuru!

 

A gente cruzou o rio Ipanema e, depois, o Ipojuca. Olha ali os riachos: lá estavam o dos Pebas, Cana-Brava, do Boi, Santana, Gravatá, Baraúnas, Liberal, Papagaio, do Belo e Salobro. Passaram os açudes Pão, Ipaneminha, Carlos de Brito e Tambores, além das lagoas Grande, do Bicheiro, do Jacu, do Algodão e do Anzol.

 

- Ué, a gente num tá atrás do rio Una?

 

As águas seguiam para um lago, para um rio ou para o mar...

 

- E o rio Una?

 

Igualmente: uma parte vai para um lago ou lagoa, outra para outros rios e segue o seu curso natural até o mar.

 

Eis que nos lá longe uma grande fogueira. Era o sítio Pesqueiro e muita gente ao redor: de Cimbres, Mimoso, Mutuca, Papagaio e Salobro; de Ipanema, Cajueiro, Beira Mar, Capim de Planta e Cacimbão. É gente, hem? Chegamos então na serra do Ororubá. E lá já tinha muito mais gente e chegando mais.

 

Eis que um pajé xukuru apareceu para todos os presentes ao redor da imensa fogueira:

 

Um dia o Grande Espírito apareceu em meu sonho anunciando um presente para todos. Era a oferta de Tupã para todos nós e se encontrava em determinado lugar. Quando amanheceu reuni toda tribo e seguimos para o lugar indicado. Lá chegando, o presente havia sumido. Reviramos todas as imediações e nada de acharmos a dádiva. Resolvemos então esperar. Ali ficamos por horas. Aí chegaram sapos, pássaros, onças, macacos, enfim, todos os animais, que indagaram a razão pela qual ali estávamos reunidos. Explicamos por conta de uma doação feita por Tupã que deveria estar aqui para servir a todos nós. Os animais então ajudaram a encontrar a dádiva e, depois de muito revirar todas as cercanias, encontraram um jacaré escondido no meio do matagal.

 

- Que estais fazendo aí, jacaré?

 

- Estou cochilando.

 

O macaco desconfiou. A onça astuta provocou:

 

- Ô, compadre jacaré, aí bestando e perdendo a festa!

 

- Que festa?

 

- Não sabe?

 

- Não.

 

- Está rolando a maior festa lá na beira do rio.

 

- É mesmo?

 

- É.

 

O jacaré alvoroçou-se e saiu às pressas, deixando um rastro de fumaça. Foi então que ao chegar todos interrogaram:

 

- Cadê o presente de Tupã, jacaré?

 

- Sei disso não.

 

- Ele tem algo escondido, vamos futucá-lo pra saber o que é!

 

E todos começaram a revirar o jacaré de ponta à cabeça e logo descobriram o que ele escondia. Foi o cambaxirra-de-peito-branco quem delatou: Ele está com o Fogo. Com a pressão das perguntas, o jacaré depôs:

 

- Foi, escondi pra mim. Vi cair do céu uma bola dourada, pensei que fosse ouro e queria só pra mim.

 

Diante da descoberta alguns se amedrontaram com as chamas, outras se assustaram com as brasas, mas, enfim, conseguiram pegá-lo, cada qual com sua chama reluzente, mantendo-o aceso em gravetos e puderam leva para casa. Ao término disso, todos celebraram o evento, quando, então, apareceu o escritor Gilvan Lemos lendo em voz alta: Não só aqui em Santana da Serra, no Brasil inteiro. A propósito, é verdade que as terras da mina foram tomadas dos índios Xacuris, antigos habitantes do vale Iurubá? Depois do que ele falou, todos se reuniram e invocaram a deusa Tamaîn, a protetora dos Xujurús e de Cimbres! Ela apareceu toda radiante! Aí começou o toré! A dança atravessou o tempo e ampliava o espaço com todos os caciques e pajés que já se foram e ali ressuscitavam. Era a hora da bênção de Tamain: ali o Una era o terceiro vértice da Trindade da Vida, juntamente com o Ipanema e o Ipojuca!

 

Viva Tamaîn, Pai Tupã e o Cacique Xikão!!!”

 

Depois das celebrações, Pai Lula falou:

 

- Aqui é Pesqueira, a terra do doce e da renda renascença. Agora vamos pra terra da amizade! Simbora!

 

Veja mais das Aventuras do Nitolino no Valuna aqui, aqui & aqui.

 

Saturday, September 05, 2026

ARTE NA ESCOLA CAIC JOSÉ DO REGO MACIEL

 

 

ARTE NA ESCOLA – As professoras Fátima Portela & Myrelly, reuniram os alunos do 9º ano da Escola Caic - José do Rego Maciel, de Palmares (PE), para o desenvolvimento de atividades sobre a temática do Folclore, com apresentações que envolveram xilogravuras, trava-língua, apresentações de cordel, embolada, dança de roda, parlendas, entre outras.

 


QUEM SOU EU?

 

Boa tarde, minha gente,

eu vim aqui pra falar,

neste cordel ligeiro

que vim apresentar.

 

Muita gente me conhece,

ou pensa me conhecer,

mas será que enxerga mesmo

quem eu sou no meu viver?

 

Todo mundo guarda algo

que prefere esconder,

um trauma, uma vergonha,

difícil de dizer.

 

O foco do meu cordel

é bem diferente,

é mostrar que uma situação triste

pode se torna em uma situação sorridente.

 

Não guarde isso sozinho,

chame alguém pra conversar,

um amigo, ou um parente,

Tenho certeza que eles

Podem te ajudar.

 

A vida tem altos e baixos,

e isso é maravilhoso,

pois uma vida sem emoção

Se torna uma vida sem gosto.

 

Hoje abrace seu amigo

Com um gesto diferente,

Transforme este dia,

Em um dia mais contente.

 

E pra finalizar

eu deixo um recado:

 

Nunca é tarde para mudar,

Aquilo que está errado.

 

-R.Andrade-

 


EMBOLADA

Meu amigo, meu colega, deixe que vou lhe dizer já começo a embolada mostrando meu proceder.

Agora você entendeu como funciona a levada se tentar peitar comigo só vai leva porrada

Rimando ligeiramente eu não perdo o meu tempo agora você tá provando o gosto do próprio veneno.

Eles querem copiar mas eu faço diferente com a minha rima eu ja entrei na sua mente.

De maneira inteligente, eficiente e prepotente.

Nessa Rima eu mostro que aqui eu estou a sua frente


Veja mais aqui, aqui & aqui.






 


Saturday, August 29, 2026

CAMINHO DOS VENTOS

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

 

CAMINHO DOS VENTOS

 

 

Chegamos enfim ao nosso destino!

E agora Pai Lula?

Vejam! Uma nuvenzinha nos acompanhou por toda trajetória.

Ao nos darmos conta dela, ela então espichou-se e foi vindo primeiro com uma brisa agradável, depois uma ventania medonha que a gente nem conseguia se segurar.

Uma voz estranha repetia em nossos ouvidos: Não tenham medo!

Lá embaixo quanta coisa linda.

O vento foi diminuindo e a gente logo chegou no topo da serra da Boa Vista. Era um local também muito alto:

- 900 metros -, disse Pai Lula.

A nuvem nos deixou em chão firme no pico e, depois, ficou por cima da gente.

De repente, uma chuvinha fina.

Um pingo repousou na palma da minha mão.

Era apenas uma gota e me sorriu:

- Estou voltando.

- Como assim?

- Estava aqui, evaporei. Condensei nessa nuvenzinha. E me precipitei da chuva. E precisava juntar-me às outras na primeira poça que encontrasse.

Foi aí que a chuvinha engrossou um pouco, tornou-se torrencial e a gota escapuliu e escorreu pra poça...

Ela infiltrou-se no solo para onde não se sabe:

- Um lençol freático ou aquíferos –, disse Pai Lula, e deles, transpiram até um olho d’água... É aí que emerge o manancial...

Entreolhamo-nos e não entendemos nada.

Ali Pai Lula nos mostrou:

- É aqui que nasce o rio! Era um minadouro: aflorava do coração da Terra, ali brotavam águas cristalinas. Surgia a fonte, da qual formavam-se pequenos filetes de água que seguiam a gravidade, escorriam pelas fendas da superfície, formavam trilhas, rieiras, valetas, brejos, pântanos, córregos, riachos, regatos, ribeiros, ribeirões, enxurradas, torrentes.

Eita!

Na nascente, Pai Lula então abriu o mapa e viu o caminho que tínhamos todos que percorrer.

E nos disse:

- Vamos pro toré xukuru!

E seguiu a jusante.

Bora!

Bastou que arrumássemos para seguir viagem, quando novamente uma ventania medonha nos pegou desprevenidos e seguimos ao sabor dos ventos...

 

Veja mais aqui & aqui.

 



Saturday, August 22, 2026

ONDE NASCE O RIO...

 

 ONDE NASCE O RIO...

 

Luiz Alberto Machado

 

Quati dorme com o focinho na cintura

Atrepado num pé de pau.

 

No lual, o Quatimundéu, velho e solitário,

Vai ao léu desgarrado duma dança de roda.

 

Chama o quati de bando e o quati-mirim que é fuçador

Suas garras e presas afiadas, todos com o focinho no buraco.

 

Foi o que versejou Pai Lula durante a viagem. Ouvimos lá longe:

 

Cáa-poera, capoeira!

 

Estão ouvindo? Sim. Chegamos na Serra do Quati. Lá à nossa espera estava firme o Pai Quati-de-bando. Fez uma reverência especial ao Pai Lula. Que é que há? Queremos saber o que é Valuna! Ah, tá. Então ele contou que quando a Terra nasceu, foi uma festa tão grande que os céus choraram de tanta emoção. Choraram de alegria e das lágrimas surgiram os lagos, rios, mares e oceanos. Durante a festa, o Sol se apaixonou pela Lua e queriam namorar, mas não podiam: ao se juntarem o Sol queimava tudo e as lágrimas da Lua inundavam todos os lugares. A Lua então ficou muito triste vagando chorosa. Em cada ponto desolada ela pranteava sem parar. Depois de muito vagar, um dia lá, ela se arranchou na serra da Boa Vista e muito tristonha chorava e suas lágrimas desceram abaixo e delas nasceu o rio Una.

 

Aí cicerone saudou a todos e, de forma cerimoniosa, passou às mãos de Pai Lula o vergalho do Quatimundéu e, depois, entregou-lhe o mapa com uma inscrição enorme e colorida: VALUNA.

 

Pai Lula sorriu dizendo:

 

- Quem tem o vergalho do quati tem sorte!

 

Depois o recepcionista apontou pra longe:

 

- Pronto, ali o rio é seu, una-se!

 

E com uma recomendação:

 

- Primeiro passo: chegando lá espere o vento com a bênção para a Trindade da Vida dos Xukurus!

 

Assim fizemos. Dali saímos e, no meio do caminho, Pai Lula brincou:

 

- Se eu não fosse ligeiro o quati me lambia. Vambora! Héhéhé! E ensaiou uma cantiga inventada na hora!

 

Canoa rema, vamos remar,

Remando e vivendo, viver é remar...

 

Depois que a gente marchou a cantoria, à certa altura da travessia paramos embaixo de uma imensa sombra de um frondoso cajueiro. Foi então que Pai Lula começou a contar:

 

- Quando anoitecia e todos iam dormir, as coisas daqui desapareciam... e outras reapareciam no lugar delas, também. Desapareciam facas, apareciam esteiras. Sumiam ferramentas, surgiam vasos. Perdia-se uma manta de charque, ganhava-se um balaio artesanal. O que estava acontecendo, não havia quem conseguisse explicar: era um caso muito estranho. Aí os moradores reunidos deliberaram: tinham que pegar esse estranho ladrão, aquele que trocava as coisas na calada da noite. Procurou-se pelos quatro cantos da localidade, nada de descobrir. Matas, cavernas, chãs, touceiras, grutas, tudo revirado e nenhum sinal. Os escambos aconteciam todos os dias e asseveraram: Tem coisa ruim por trás disso. Tem é magia, isso sim. Feitiçaria da braba. Todos eram muito supersticiosos e começaram a fazer novenas e súplicas benzedoras todas as noites para se protegerem do que poderia ser aquilo. Dias após passaram a se livrar de tudo que o suposto maligno deixava no lugar. Ninguém tocava no assunto, faziam de conta que nada mais acontecia. O tempo foi passando e as coisas se mantinham do mesmo jeito. Foram perdendo o medo e passaram até a deixar coisas pelo caminho: roupas, cordas, bregueços, brebotes, tudo espalhado pelo chão. E assim foram se ajeitando. As coisas simplesmente aconteciam. Aí, um dia lá, uma caravana de caçadores seguia pela mata e, no meio das árvores, num local que não havia moradia, uma fumaça branca amedrontou a todos: ela invadia todos os lugares ao redor e subia céu afora. Empunharam as armas e seguiram a fumaça: um pé lá, outro cá. Atentos, cautelosos. Aí avistaram um vulto enorme aboletado à beira do fogo. Mais precavidos se prepararam para tirar aquilo a limpo. Ao avançarem o vulto revidou, escapulindo. Saíram ao encalço do fugitivo, cercaram-no. Foi preciso muita força. Era o Pai Quati, o quatimundéu, verdadeiramente responsável pelos achados e perdidos. Hummmmmmmm... E aí? Entrou pela perna de pinto e saiu pela perna de pato!

 


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Saturday, August 08, 2026

AS AVENTURAS DO NITOLINO NO VALUNA

 

ERA MANHANZINHA NO SÍTIO FALANGE, FALANGINHA, FALANGETA...


O Sol apareceu altivo

Pelas voltas do planeta.

Que dia é hoje que estou vivo?

Segunda, quarta ou sexta?

Não sei, qualquer festivo!

Os dias vão feito carrapeta!

Só sei que amanheceu bonito

No sítio Falange, falanginha, falangeta!

 

O meu avô ajeitava as coisas logo cedo e me chamou:

 

- Nitolino, venha cá! Chegou a hora da missão: vamos descobrir Valuna!

 

- Sim, Pai Lula!

 

- Vá chamar os meninos pra gente seguir hoje na maior aventura!

 

- Mesmo? Vamos pra onde mesmo?

 

- Vamos ver como nasce um rio!

 

- É mesmo, Pai Lula! Vou agorinha mesmo!

 

E saí na carreira mais desembestada. Logo encontrei Alvoradinha.

 

- Alvoradinha você sabe como nasce um rio?

 

- Sei.

 

- É mesmo?

 

- Ora, se.

 

- Então, vamos chamar a turma!

 

E fomos em busca do Mindinho, Seu Vizinho, Maior de Todos, Fura-Bolos & Cata-Piolhos. Vambora. Eita, o Cravo & a Rosa já estão arengando! Olha, vamos ver o rio nascer! Vamos. O Cravo logo se perfilou, enquanto Rosa foi ajudar às mulheres da casa. O Lobisomem Zonzo passou na maior carreira. Pronde tu vai, abestado? Não vou perder a aventura de hoje. Vambora.

 

Vó Carma logo nos chamou:

 

- Tomem, meninos, levem com vocês!

 

Passou pra gente os mantimentos, cada coisa, uma melhor que a outra. A Tia Nilda também trouxe um saco cheio das melhores coisas pra saborear. Tia Conça apareceu: - Façam boa viagem, meninos!

 

Simbora, gente! E nos arrumamos todos e seguimos pela imensidão do céu! Ansiávamos por hestórias novas, da Carochinha e de Trancoso, de antes do tempo das coisas terem nome de gente! E lá fomos nós.

 

- Pra onde a gente vai mesmo, Pai Lula!

 

- Vamos pra Serra do Quati!

 

Oba!

 

Andamos a manhã inteira, subimos e descemos ladeiras, percorremos rodagens, atravessamos matas e rios e, lá pro meio dia, chegamos no pico do local indicado.


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