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PROJETO BRINCARTE DO NITOLINO – Espaço para informação e divulgação do trabalho com oficinas, contação de história, recreações educativas, palestras, pesquisas acadêmicas e outras atividades musicais, teatrais e literárias de Luiz Alberto Machado voltadas para o universo infanto-juvenil. Contato: luizalbertomachado@gmail.com
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Oi, Alice, você sabia que “a única forma de
chegar ao impossível, é acreditar que é possível”.
- Não.
- Ué, você não é
Alice?
- Sou.
- Do país das maravilhas?
- Não.
- Do Lewis Carroll?
- Nunca ouvi
falar!
- Nem do país de quantum?
- Não.
- Nem um
pouquinho Alice do Gato de Botas, do Jaguadarte,do chapeleiro?
- Não.
- Ué, Alice de
quem?
- De mim mesma.
- Desculpe, você
é muito bonita, mas bem que podia me falar do país das maravilhas, não acha?
- Não.
- Faça isso não.
- Ah, você quer
mesmo brincar?
- Quero!
- Então, pega o
beco e vai passear, tá?
- Hum!
Nitolino todo
adiantado com o mocinha bonita, foi logo puxando conversa:
- Ô Nick, vamos
fazer piquenique?
- Aonde?
- Lá depois de
Jacuipe!
- E onde é que
fica isso?
- Depois da taba
do cacique!
- Quem?
- É só passar de
tabique, lá depois de lé com cré!
- Vôte! Entendi
nada...
- Ô Nique, você
sabe o que é?
- Hem?
- Os sinos de
Belém?
- De quem?
- Que vai vaivém!
- Como é que é?
- Cara ou coroa,
se vira quem quer!
- Pronto,
endoidou!
- Se você for eu
também vou!
- Quer brincar
direito?
- Quero.
- Então vai ver
se estou lá na esquina...
Ele foi. Foi e
voltou:
- Você está lá
não, Nick.
- Ah, vai
aprender a lamber sabão!
- Eu, não.
Aí Nitolino
perguntou:
- Ô Tarsila,
para onde tu vais, menina bonita?
- Quem é você?
- Sou Nitolino
Brasileiro da Silva!
- Quem?
- Nitolino!
N-i-ni-t-o-to-l-i-li-n-o-no! Nitolino!
- Nunca vi mais
gordo, vá crescer para aparecer, viu?
- Ô menina, eu
já cresci, você que é grandona e bonita!
- Destá! Brinco
mais dessas coisas não!
- Brinca não?
- Não.
- Ah, mas você é
tão bonita e não brinca mais. Devia de brincar comigo de o que é o que é, de
trava-língua ou de assombração!
- E você sabe o
que é o que é?
- Que dá pinote
e faz bé?
- Não.
- Que tem cara
de besta igual um Mané?
- Não.
- Que deita a
cabeça pra fazer cafuné?
- Não.
- Que solta
rojão pra ver buscapé?
- Não.
- Que tira o
sapato e fica só o chulé?
- Não.
- Que junta
galinha pro galo Garnizé?
- Não.
- Então o que é?
- Um peteleco na
orelha e um pisão no pé!!!
- Oxente, que
menina mais sabida?
- Comigo é assim
que é!
Lá ia Nitolino
quando de repente viu...
- Que menina
mais bonitinha!
- Luna Beatriz,
prazer!
- A que chega e
diz?
- Como?
- Que quer ser
feliz?
- Hem?
Hehehehehehehe!
- Quem é você?
- Sou Nitolino
Brasileiro da Silva!
- Quem?
- Um
super-herói!
- Eita!
- Isso mesmo,
quando quero inventar sou Super-Nito!
- Nunca ouvi
falar desse!
- Nunca?
- Jamais!...
- Sou o melhor
de todos!
- Vixe, que
amostrado!
- Você quer
brincar?
- Quero!
- Vamos brincar
de burra-cavalo?
- Oxe!
- De polícia e
bandido?
- Sai pra lá...
- De ver quem
corre mais?
- Muito chato.
- Você quer
brincar do quê, então?
- De cantar!
Então,
vambora!!!!
Era uma vez um menininho muito sapeca. Estava
meio assim meio assado, arrumando o que fazer. Andou a casa toda e foi bater no
quintal, onde viu escondidinha uma girafa bem pequenininha. Uma girafa! Eba!
Vou pegá-la. E foi pegá-la e ela correu. Pega mas não pega, atrás dela que fugia.
Ô girafinha mais sem jeito! Tanto insistiu em agarrá-la e ela escapava. Aí cansou
e, então, falou pra ela:
- Ô girafinha, deixa eu pegar você!
E ela: - Eu não.
Pego!
Pega não!
Pego!
Pega não!
Tanto fez e não conseguia, por causa disso
foi até a mãe dele todo cerimonioso:
- Ô dona Eulália, a senhora pode me fazer o
favor de pegar a girafinha no quintal?
E a mãe:
- Ô meu filho, estou muito ocupada. Vá pedir
pro seu pai. E ele foi. Chegando lá, o pai roncava a sono solto.
- Pai! Pai! Pai! -, tanto chamou e nada dele
acordar. – Ôxe, esse homem só quer dormir! Ô mãe, o pai tá no maior ronco! Não
acorda não!
- Vixe! Acorde ele, meu filho!
- Ah, ele não acorda não, nem com fogo nem
com um banho d’água, mãe!
Ao perceber que não teria ajuda, ele saiu
brabo e foi até a girafinha: - Agora eu lhe pego!
Pega aqui, pega acolá, a girafinha dava cada
pinote e ele lá pega mas não pega. Até pegou-la. Pegou-la e sustentou-la. Pegou-la
pelo gogó e disse feito herói:
- Peguei-la! Agora você vai brincar comigo
até não querer mais.
Aí entrou pela perna de pinto, saiu pela
perna de pato, o que se sabe de mesmo é que virou de fato!
João Felipe, seu menino,
Pronde é que você vai?
Vai dar a volta ao mundo
Ou correr atrás do pai?
Anda assim todo faceiro
Tal buchudo orgulhoso
Chegue cá, seu presepeiro,]
Deixe de ser tão treloso!
João Felipe, seu menino,
Deixe de ser tão papudinho!
Tem a cara do papito
Outro muito danadinho!
Mas não fique abusado
Nem mesmo borocochô
Mande pro raio que o parta
Esse besta tio-avô!
Thomas, Tom mas mais, fica aí como quem não quer mais nada
Papudo aboletado, todo olhudo como um rei, Buda, Nagô
Pensa é que a vida é só redonda ou quadrada?
Que nada, mas mais, só no dengo macio do frio ao calor
O que quer da vida, menino, só na gaitada
Para mangar da besteirada de seu broco tio-avô!
O LIVRO INFANTIL DE ELIETE: “MEU CABELO É
AFRO. E DAÍ?” (Trinca, por Vilmar
Carvalho, poeta e historiador): 1. O
livro infantil é fantástico. Ele cumpre vários sentidos: apresenta a literatura
ficcional à criança; ele é lúdico no mais exato termo; é mágico e propositivo,
pois narra uma “moral da história”, uma lição singela, pequena, mas que abre as
possibilidades do homem melhorar a si mesmo e ao seu redor. Talvez, por isso, o
livro infantil atraia o leitor adulto também. Ali a criança é protagonista ou
narradora de uma história de todos nós, seres sempre incompletos; por aprender,
movidos pela imaginação. O livro infantil é isso: imaginação que possibilita
acreditar em algo melhor de nós seres humanos. 2. Mas não há narrativa sem
conflito. O livro infantil marca o início dessa temática de como o protagonismo
supera o antagonismo. E de como o último perde substância diante do que é
oferecido pelo mais encantado e, por isso, extremamente verdadeiro. E porque digo
tais coisas? Digo, assim, pois a cidade de Palmares ganhou uma escritora de
livros infantis, que mesmo em sua estreia provoca essa “imaginação que
possibilita acreditar em algo melhor de nós mesmos”. O livro “Meu cabelo é
afro. E daí?” – de Eliete Carvalho – é uma história comum envolvendo uma menina
de cabelo crespo, sempre recomendada, pela professora, a prendê-lo. 3. Uma
exigência sem maldade ou ofensa, porém antagonista: a mãe da menina negra é
zelosa e cuida do cabelo da filha diariamente, mas ninguém, na escola, enxerga
na cabeleira da menina negra um penteado. Na história, o protagonismo da
criança é demonstrar insatisfação com o fato de amarrarem o cabelo
carinhosamente cuidado pela mãe. O livro de Eliete demonstra como o diálogo
possibilita (entre alunos, pais e professores) o respeito entre as raças.
Recomendo sua leitura (para crianças e adultos!). A moral da história é que
superado o preconceito, todas as cabeleiras diferentes ganham visibilidade,
beleza própria, um jeito de ser diante de negros, brancos e mestiços. TRINCA_124
Palmares, 12 de dezembro de 2019. Veja mais aqui.