LAJEDO
Léu, léu, léu,
Se eu desta escapar,
nunca mais festa no céu...
Era
dia de festa no céu, só os avoadores foram convidados. Fez-se tamanho alvoroço
e o cágado disse que ia de qualquer maneira e conseguiu uma carona no voo da
garça.
Lá no
meio da viagem o cágado escapou e caiu: Arredem-se,
pedras, paus, senão vos quebrareis! As pedras e paus se afastaram, e ele
caiu; porém todo arrebentado. Seu casco partiu-se em vários pedaços. Deu
trabalho remendá-lo.
Outras tantas contam: o cágado desafiou a raposa para uma
corrida e ganhou. Como? O cágado comeu o rabo do lagarto, que se queixou ao
responsável da aldeia e o cágado defendeu-se dizendo que encontrou o rabo perto
de um buraco e que não era de ninguém. Bicho tão sabido, fino que só lã de cágado! Vi um desse lá na Volta do Canhoto. Estava desafiando o boi:
Este meu boi Espácio morava em dois sertões
comia nos cipoais, bebia nos caldeirões.
- Vê
se te enxerga, atrevido.
Duma
patada o cágado escorregou nos lajeiros e saiu levado pelas correntezas dos rios Quatis, da Chata e do Retiro. Depois foi levado
pelos riachos Bonito, Doce e do Serrote e foi parar no pé do lajeiro
aonde a onça mora!
-
Agora que me danei!...

