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Saturday, August 29, 2026

CAMINHO DOS VENTOS

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

 

CAMINHO DOS VENTOS

 

 

Chegamos enfim ao nosso destino!

E agora Pai Lula?

Vejam! Uma nuvenzinha nos acompanhou por toda trajetória.

Ao nos darmos conta dela, ela então espichou-se e foi vindo primeiro com uma brisa agradável, depois uma ventania medonha que a gente nem conseguia se segurar.

Uma voz estranha repetia em nossos ouvidos: Não tenham medo!

Lá embaixo quanta coisa linda.

O vento foi diminuindo e a gente logo chegou no topo da serra da Boa Vista. Era um local também muito alto:

- 900 metros -, disse Pai Lula.

A nuvem nos deixou em chão firme no pico e, depois, ficou por cima da gente.

De repente, uma chuvinha fina.

Um pingo repousou na palma da minha mão.

Era apenas uma gota e me sorriu:

- Estou voltando.

- Como assim?

- Estava aqui, evaporei. Condensei nessa nuvenzinha. E me precipitei da chuva. E precisava juntar-me às outras na primeira poça que encontrasse.

Foi aí que a chuvinha engrossou um pouco, tornou-se torrencial e a gota escapuliu e escorreu pra poça...

Ela infiltrou-se no solo para onde não se sabe:

- Um lençol freático ou aquíferos –, disse Pai Lula, e deles, transpiram até um olho d’água... É aí que emerge o manancial...

Entreolhamo-nos e não entendemos nada.

Ali Pai Lula nos mostrou:

- É aqui que nasce o rio! Era um minadouro: aflorava do coração da Terra, ali brotavam águas cristalinas. Surgia a fonte, da qual formavam-se pequenos filetes de água que seguiam a gravidade, escorriam pelas fendas da superfície, formavam trilhas, rieiras, valetas, brejos, pântanos, córregos, riachos, regatos, ribeiros, ribeirões, enxurradas, torrentes.

Eita!

Na nascente, Pai Lula então abriu o mapa e viu o caminho que tínhamos todos que percorrer.

E nos disse:

- Vamos pro toré xukuru!

E seguiu a jusante.

Bora!

Bastou que arrumássemos para seguir viagem, quando novamente uma ventania medonha nos pegou desprevenidos e seguimos ao sabor dos ventos...

 

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