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Saturday, November 07, 2026

JUREMA

 

 JUREMA

 

Luiz Albert Machado

 

Calango foi à Jurema

Com um comboio de farinha

Lagartixa pulou na frente

E pediu-lhe uma boquinha!...

 

No sopé da serra dos Caboclos chegou o sertanejo retirante Zé Pedro, fugitivo da seca do Piancá da Paraiba. Ali ficou encantado com a sombra frondosa dos juremais. Encantou-se também com os rios do Feijão, Pirangi e das Paixões, além dos riachos Gaiola, Pátio Velho e das Paixões. E então fez festa no dia 11 de setembro a cantar:

 

Eu venho das águas claras, eu venho do alto mar.

Eu venho de muito longe, do tronco do juremal.

 

Lá no juremal, onde canta o rouxinol,

onde mora a estrela guia, onde tem raiar do sol.

 

A marola lá do mar, aí vem rolando,

e a cabocla Jurema é quem vem chegando.

O seu penacho é verde, é da cor do mar.

 

Ela é Jurema, cabocla primeira, rainha do meu jacutá.

Cabocla da juremeira, sereia em alto mar.

A Jurema é muito linda, com seu capacete de pena.

 

A Jurema não engana ninguém.

 

Oh! Jurema Preta, senhora rainha.

Dona da cidade, mas a chave é minha!

 

Na sua aldeia, lá na Jurema, não se faz nada sem ordem suprema.

 

Tempo disse, Tempo dirá, que é funda a raiz da Jurema.

 

Oi lá nas matas, lá na Jurema, é uma lei severa, é uma lei sem pena.

Se ele é caboclo e se veste de pena, venha ver as forças que tem a Jurema.

 

Eu vi a Cabocla Jurema se banhando na cachoeira.

 

Jurema é uma árvore, mas não exatamente; ou bebida, ou local sagrado, ou cerimônia a uma entidade espiritual! Pajelança, toré, catimbó! A mesa da Jurema! Os encantados! Jurema é uma e muitas!

 

Jurema é uma cidade, uma cidade do Além. Jurema é a mata. É o juremal.

Jurema é uma árvore frondosa – vive mais de 200 anos! E dela tudo se aproveita: raiz, casca, folhas, sementes.

Jurema é um tronco, um galho de juremeira – sagrado lugar oculto.

Jurema é um "lugar" de onde se vem ou para onde se vai.

Jurema sagrada!

Sou juremeiro seguindo a linha dos mestres, a linha dos encantados:

 

Eu tive um sonho lá nas matas da Jurema, nunca vi tanta beleza, cidade do juremal.

O perfume da flor da Juremeira se espalha por todo o juremal.

Ê ê ê boca da mata, deixa esses caboclos passar, boca da mata.

 

No centro da mata virgem, uma linda cabocla eu vi.

Com seu saiote de penas, é a Jurema filha de Tupi.

 

Caboclo vai embora, pra cidade da Jurema.

Vou pra Jurema, quem vai embora sou eu.

 

A jurema preta é remédio popular nas queimaduras, gastrite, úlceras da pele e inflamações.

 

Ah, aí eu posso ir pro Carnaval das Catirinas!

E Bumba-meu-boi!

 

Catirina era uma escrava e estava grávida. Começou a ter desejos por língua de boi. Não de boi qualquer, a língua do novilho mais querido do patrão - Se seu desejo não fosse atendido, o bebê podia morrer ou nascer deficiente. Seu marido, mesmo sabendo do enorme risco que corria, resolveu atender o desejo da gestante, pegou a língua do boi mais bonito. O fazendeiro deu falta do animal, que era o seu boi preferido e exigiu que todos procurassem por ele. O boi é encontrado quase morto no pasto e os vaqueiros apontam o culpado. O brabão mandou capturar o fugitivo e ameaçou a sua vida. Só que, desesperado para salvar a vida do boi, o dono da fazenda deixa o escravo de lado por um tempo e convoca médicos para salvar o animal primeiro. Nenhum deles consegue reverter a situação e o boi vai ficando cada vez mais fraco. Aparecem então na fazenda os pajés da floresta e, com seus feitiços, conseguem salvar a vida do boi. O patrão fica tão feliz e resolve poupar a vida do escravo.

 

É hora da grande festa. Bumba-meu-boi!

E veja mais aqui.