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Tuesday, January 28, 2014

A CRIANÇA EM DESENVOLVIMENTO, DE HELEN BEE.






[...] A orientação teórica do livro é bastante cognitivo-desenvolvimental. Este livro sobre desenvolvimento e não meramente sobre crianças. A ênfase é sempre sobre progressão de mudanças e sobre a compreensão das sequências de desenvolvimento onde elas existem. São apresentadas outras perspectivas teóricas, mas o ponto de interrogação é a visão desenvolvimental.
[...] Por que todas as crianças nascidas de mesmos pais não são iguais? Se você recebeu 23 cromossomos de sua mãe e 23 de seu pai, e se sua irmã ou seu irmão receberam 23 de sua mãe e 23 de seu pai, por que você não parece idêntico a sua irmã ou a seu irmão? A resposta, certamente, é que você não recebeu os mesmos 23 cromossomos de sua mãe e os mesmos 23 cromossomos de seu pai. Cada óvulo ou cada espermatozóide, contém uma combinação diferente de 23 cromossomos e assim, cada um de seus irmãos ou irmãs receberam uma combinação única, resultante de um número muito grande de combinações possíveis. Assim, não só é possível, mas é inevitável, que. duas crianças da mesma família tenham heranças diferentes.
[...] O que determina o sexo de uma criança? Um par de cromossomos é responsável pela determinação do sexo de uma criança. Na mulher normal cada um dos cromossomos deste par é grande e ao microscópio exibe alguma semelhança com um X; no homem há apenas um cromossomo X e um outro, menor, o cromossomo Y. Diferentemente das outras células do corpo, cada uma das quais contém os 23 pares de cromossomos, o óvulo e a célula espermática contém apenas 23 cromossomos despareados, um de cada par. A criança concebida sempre recebe da mãe, um cromossomo X (pois a mãe só tem Xs) enquanto que de seu pai a criança pode receber tanto um cromossomo X quanto um Y. Se o espermatozóide levar um cromossomo X ,então a criança terá XX e será uma me nina, se o espermatozóide carregar um cromossomo Y então a criança terá XV e será um menino.
[...] A palavra interação tem um número de significados diferentes que devem ser distinguidos.  Em geral, na linguagem cotidiana, interação significa, simplesmente, relacionamento. Se eu interajo com você, eu estou me relacionando com você de alguma forma. Naturalmente a criança interage com pessoas e com o ambiente neste sentido da palavra. Ela interage com pessoas e objetos do mundo que a cerca. Mas, a palavra interação na sentença que se segue, tem um significado diferente: O comportamento da criança resulta de uma interação de diversas forças. Aqui, a palavra não se refere a qualquer tipo de relacionamento com pessoas ou com o mundo. Mas, a palavra se refere a uma combinação de influências, de forma que o resultado que nós observamos pode ser atribuído a diversas causas, mais do que a uma única. Forças internas e externas atuam em todos os aspectos do desenvolvimento do comportamento da criança; não há casos de comportamentos que sejam totalmente determinados quer externa, quer internamente. A questão mais interessante é a natureza da relação entre influências internas e externas. Uma relação possível pode ser uma relação aditiva: os efeitos de forças internas, como hereditariedade e maturação, podem ser simplesmente somados aos efeitos do ambiente. Nós podemos pensar, por exemplo, na dieta de uma criança somada aos efeitos da hereditariedade da mesma, de forma que, boa herança intelectual acrescida de uma boa dieta produzirão crianças brilhantes. Ou, então, a boa dieta e má hereditariedade ou a má dieta e a boa hereditariedade resultarão em crianças médias e a má dieta e má hereditariedade resultarão em crianças pouco dotadas. Pode-se trabalhar desta forma, mas neste e, virtualmente, em todos os outros casos, a relação real entre as diversas forças atuantes são mais complexas do que isso. Por exemplo, algumas crianças podem herdar gens que as tornam menos vulneráveis a vários tipos de eventos ambientais, incluindo a má dieta. Algumas crianças podem ser mais capazes de tolerar uma má alimentação, uma insuficiência precoce de estimulação ou algo ainda pior, do que outras crianças. Assim, o efeito é resultado tanto das características internas da criança, quanto das influências ambientais, mas a relação não é uma questão de adição das duas. O mesmo ambiente pode ter diferentes efeitos em crianças que nascem com diferentes características iniciais, ou o ambiente pode ter um efeito diferente sobre uma criança em diferentes momentos, quando essa estiver desenvolvendo habilidades diferentes.
[...] O maior grupo de crianças com um desenvolvimento atípico é o daquelas com retardo mental; este grupo incluía, talvez, 6 milhões de pessoas em 1970, das quais aproximadamente 2,5 milhões estavam com menos de 20 anos. O retardo mental deve ser entendido como um síntoma e não como uma doença. A criança tem uma atuação retardada num determinado período de tempo e sob circunstâncias particulares, mas o seu nível de atuação pode mudar, por diversas razões. O retardo mental é costumeiramente dividido em diversas subclasses, incluindo o retardo benigno (um QI de 52-67), o retardo moderado (um QI de 36-51) e o retardo severo (um Ql de 20-35). Em geral, as causas do retardo são divididas em duas categorias — causas físicas e cultural-familiares. As anomalias genéticas e lesões cerebrais estão incluídas entre as causas físicas. O retardo cultural-familiar é considerado como um produto conjunto de uma habilidade intelectual geneticamente baixa e de ambientes empobrecidos ou não estimuladores. O desenvolvimento emocional atípico também é normalmente subdividido em sicoses infantis e distúrbios de comportamento. As psicoses incluem formas extremamente severas de desordens emocionais que impedem o relacionamento da criança com os outros, sendo frequentemente acompanhadas por comportamentos bizarros e subnormalidade mental. O prognóstico para estas crianças é ruim, especialmente para aquelas que mostraram os sintomas muito cedo. Os distúrbios de comportamento são desvios de padrões de comportamento, em geral a curto prazo, tais como agressividade excessiva e esquiva. Um tratamento terapêutico breve geralmente é bem sucedido em aliviar o problema. Os distúrbios de comportamento podem ser uma resposta da criança a um excesso de tensão ou ―risco em seu ambiente, causada por uma doença física ou um distúrbio emocional dos pais, ou por mudanças breves da família. As crianças surdas, embora não muito numerosas, impoêm problemas especiais para suas famílias, para as escolas e para a sociedade como um todo. Há sérios problemas de manipulação e treinamento, incluindo como possibilitar que a criança se utilize de uma linguagem viável. Os métodos recentes de treinamento, tanto da linguagem por sinais quanto da linguagem oral, parecem oferecer as maiores esperanças. As crianças cegas, embora possam necessitar classes e assistência especial, frequentemente saem-se bem em classes regulares e têm menores problemas do que a criança surda quanto aos progressos intelectuais e educacionais. Outras crianças com deficiências físicas incluem aquelas com paralisia cerebral que dependendo da severidade de suas deficiências, podem requerer treinamento especial desde os primeiros meses de vida, bem como suas famílias.


A CRIANÇA EM DESENVOLVIMENTO, DE HELEN BEE. – O livro A criança em desenvolvimento, de Helen Bee, trata de temas importantes da psicologia acerca do desenvolvimento da criança, a partir da exposições das influencias internas e externas dos processos, básicos, efeitos da interação, métodos de estudo, o desenvolvimento pré-natal e o nascimento, a concepção e o desenvolvimento embrionário, o período fetal, o processo do nascimento, a primeira infância, o crescimento e desenvolvimento físico, peso e altura, músculos e ossos, desenvolvimento motor, crescimento do sistema nervoso, hormônios, crescimento e desenvolvimento perceptivo, linguagem, teorias do desenvolvimento da linguagem, desenvolvimento cognitivo e do pensamento, mensuração da inteligências, desenvolvimento das relações interpessoais, desenvolvimento do autoconceito e da identidade, papel sexual, do nascimento aos 12 anos de idade, os efeitos da pobreza, as diferenças sexuais, a velhice, desenvolvimento atípico e moral, entre outras tantos e relevantes assuntos.

REFERÊNCIA
BEE, Helen. A criança em desenvolvimento. São Paulo: Harper & Row do Brasil, 1977.