BRINCARTE

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Thursday, July 03, 2014

A LITERATURA INFANTIL DE JOSÉ PAULO PAES



Poesia é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião.
Só que bola, papagaio, pião
de tanto brincar
se gastam.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.



JOSÉ PAULO PAES – O poeta, ensaísta, jornalista e tradutor José Paulo Paes (1926-1988), estudou química industrial trabalhando em laboratório farmacêutico, publicando seu primeiro livro O aluno, em 1947. Dois anos depois, vai pra São Paulo e começa a colaborar em diversos jornais, passando ao exercício de editor em 1963. Entre suas obras, consta diversos títulos infantis.


Passarinho fofoqueiro

Um passarinho me contou
que a ostra é muito fechada,
que a cobra é muito enrolada,
que a arara é uma cabeça oca,
e que o leão marinho e a foca..
xô , passarinho! chega de fofoca!


Patacoada

A pata empata a pata
porque cada pata
tem um par de patas
e um par de patas
um par de pares de patas.
Agora, se se engata
pata a pata
cada pata
de um par de pares de patas,
a coisa nunca mais desata
e fica mais chata
do que pata de pata


Letra mágica

Que pode fazer você
para o elefante
tão deselegante
ficar elegante?
Ora, troque o f por g!
Mas se trocar, no rato,
O r por g transforma-o você
(veja que perigo!)
no seu pior inimigo
o gato.


Mistérios do passado

Quando Cabral o descobriu,
será que o Brasil sentiu frio?

Diz a História que os índios comeram o bispo Sardinha.
Mas como foi que eles conseguiram abrir a latinha?

Qual o mais velho, diga num segundo:
D. Pedro I ou D. Pedro II?

De que cor era mesmo (eu nunca decoro)
o cavalo branco do Marechal Deodoro?


Adivinha dos peixes

Quem tem cama no mar? O camarão.
Quem é sardenta?  Adivinha. A sardinha.
Que não paga o robalo?   Quem roubá-lo.
Quem é o barão no mar? O tubarão.

Gosta a lagosta do lago? Ela gosta.
Quantos pés cada pescada tem? Hem?
Quem pesca alegria? O pescador?
Quem pôs o polvo em polvorosa? A Rosa.


Portuguesa

— Manuel, quando é "agora"?

— Ora, pois pois:
depois do antes ou antes do depois!




Wednesday, July 02, 2014

A LITERATURA INFANTIL DE ZELIA GATTAI


ZÉLIA GATTAI – A escritora, fotógrafa e memorialista baiana Zélia Gattai Amado (1916 – 2008), escreveu, entre outros livros, três infantis.



PIPISTRELO DAS MIL CORES - O primeiro deles, lançado em 1989, foi Pipistrelo das mil cores, a história de um bicho muito curioso parecido com um dragão dos contos de fadas que foi encontrado no meio do Pantanal. Ao ser capturado por caçadores malvados, finda aprisionado no zoológico muito triste e não querendo mais comer. Aí aparece um grupo de crianças que tencionam alegrá-lo e libertá-lo. O que acontecerá?


O SEGREDO DA RUA 18 – Lançado em 1991, O segredo da rua 18, conta a história de Doralice e Miguelinho que ajudam a mãe dela a construir um jardim na frente da sua casa. Pela dificuldade de trabalhar a terra, as crianças convencem outros amigos para cavarem em busca do tesouro do pirata Gancho de Ouro. Nessa empreitada descobrem o segredo da rua. Qual será? 


JONAS E A SEREIA – Em 2000, foi lançando o livro Jonas e a Sereia contando uma história de amor entre o protagonista e Auta Rosa, o peixe pescado por ele e por quem se apaixona. O que será que aconteceu com esse amor?


Tuesday, July 01, 2014

ANDERSEN & O DIA DAS BIBLIOTECAS



DIA DAS BIBLIOTECAS – Foi na Biblioteca Municipal Fenelon Barreto, na minha terrinha boa de Palmares, Pernambuco, que a generosidade da professora e bibliotecária Jessiva Sabino de Oliveira permitiu que eu conhecesse não só a obra de Hans Christian Andersen, como as de Hermilo Borba Filho (então escondidas sob sete chaves), Ascenso Ferreira e de todos os escritores palmarenses (ela reunia um acervo inestimável da literatura local, nacional e universal), como foi quem me iniciou nas leituras de Walt Whitman, Érico Veríssimo, Dante, Cervantes, Shakespeare, Balzac, Dostoievsky, Proust, Mallarmé, Bandeira, João Cabral de Melo Neto e toda literatura teatral (dos antigos gregos até Brecht, Ionesco e Stanislavski), entre outras. Era eu um visitador diário da biblioteca, escapulindo dos afazeres no cartório que era bem pertinho, tanto para descobrir novas leituras, como para receber indicações e aconselhamentos da estimada professora. Nada mais justo que neste dia homenageie tanto a instituição biblioteca, como a esta grandiosa mulher que se tornou a madrinha dos artistas palmarenses da minha geração.  Veja mais aqui.


HANS CHRISTIAN ANDERSEN – O escritor dinamarquês, Hans Christian Andersen, nasceu em Ordene, a 2 de abril de 1805, e morreu em Copenhague, a 4 de agosto de 1875. Apesar de haver deixado obra extensa, como livros de poesias, viagens, romances e duas autobiografias, foi só como autor de contos infantis que se tornou mundialmente conhecido. Ele teve uma infância pobre, mas não de todo infeliz, até os 11 anos, quando seu pai morreu, lutando nas hostes napoleônicas. Seguiram-se anos de extremas dificuldades financeiras, em sua cidade natal e em Copenhague, para onde se mudou em 1819. Procurou fazer carreira como dançarino, sem êxito. Somente após muitas privações conseguia uma bolsa de estudos que lhe permitia viver com menos preocupações e, mais tarde, viajar pela Europa. Já havia publicado livros de poesia, quando, em 1835, uma viagem a Roma lhe deu inspiração para um romance de sucesso: O improvisador, de 1837. No mesmo ano e na mesma cidade escreve aquele que seria o primeiro de seus livros consagradores: Aventuras e histórias. A partir de então e até 1872, quase todos os anos seria publicada nova coletânea desses contos, sempre recebidos com entusiasmo em vários países. Os tempos difíceis da infância e juventude, ficariam para sempre marcados em sua obra. Conquanto o elemento fantástico seja um dos traços primordiais de seus contos infantis, nestes existe igualmente um travo de amargura. Seus personagens principais, seja nos Sapatinhos vermelhos, no Patinho Feio, ou no Soldadinho de chumbo, geralmente são sofredores ou mesmo mutilados. Andersen foi recebido em Paris por Victor Hugo e na Inglaterra por Dickens, e que foi convidado a almoçar com o rei da Dinamarca e a rainha da Inglaterra, vivendo atormentado pelo sentimento de insegurança. Sua vida foi um verdadeiro conto de fadas, em que ele mesmo parece não haver acreditado.