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Monday, June 02, 2025

REGISTROS MÁGICOS DE PALMARES: TERRA DE CULTURA E DE GRANDEZA

 

 

REGISTROS MÁGICOS DE PALMARES – Recém lançado pela Semed – Palmares, sob a gestão da secretária Elizângela Neves, o livro Registros Mágicos de Palmares, escrito por Luiz Alberto Machado, Marcos Xhêpa & Guto Mota, sob coordenação da Editora Trato, compõe a série Palmares: Terra de Cultura e de Grandeza, com as lendas da Trombeta, da Usina Pirangi, do Padre sem cabeça, da Princesa da Serra da Prata, da Comadre Fulôzinha, do Castelo Inglês, da Pedra do Navio, do Bicho-homem, de Zumbi dos Palmares, do Velho do saco, do Papa-figo, da Dama da Noite e do Vampiro que morava no cemitério. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 


Saturday, March 21, 2015

A RAPOSA E O GALO


A RAPOSA E O GALO – O galo andava passeando e encontrou a raposa. Foi dizendo:

- Comadre Raposa, que é que há de novo?

- Nada, compadre Galo. Vamos fazer uma aposta?

- Vamos – disse o galo.

E a raposa propôs:

- Pois vamos ver quem passa mais tempo com os olhos fechados.

- Está ajustado – concordou o galo.

Então a raposa fechou os olhos e o galo fechou um e deixou o outro aberto.

A raposa, que estava procurando um momento para abocanhar o galo, abriu os olhos e o viu com um olho fechado e outro aberto. Foi reclamando:

- Compadre Galo, é pra fechar os dois olhos!

- Não, comadre Raposa! Com amigo incerto é um olho fechado e outro aberto!...

(Recolhido de Populário do Nordeste, de Veríssimo de Melo, 1957. In: DANTAS, Paulo. Estórias e lendas no norte e nordeste. São Paulo: Edigraf, s/d).


RECADINHO: APOIO ÀS ENTIDADES ASSISTENCIAIS – Acontecerá na cidade de Três Corações (MG), no próximo dia 23 de março, reunião na Escola do Legislativo que orientará a doação de impostos federais aos fundos de amparo do município. A informação é de que se pode doar até 6% do valor da declaração do Imposto de Renda (IR) ao Fundo para Infância e Adolescência (FIA) do Município. É fácil e importante para as entidades assistenciais. Informações drmauriciogadbem@gmail.com, fone 35-3239-1538 e mais detalhes acessando: http://www.doutormauricio.com (Info: Meimei Correa).



Veja mais aqui.


Tuesday, January 20, 2015

A LENDA DA ONÇA MANETA


Imagem: J. Lanzellotti

Na redondeza corria o boato de que havia uma onça maneta devorando tudo. Por causa disso as pessoas estavam com medo de sair à noite ou qualquer hora do dia das suas casas.

Há poucos minutos atrás chegava a notícia de mais uma vítima da dita onça maneta. Havia ela devorado mais um porquinho duma fazenda da vizinhança.

Todos temiam noitedia, exceto o Lobisomem Zonzo que parecia não estar nem aí para quem pintou a zebra.

Nitolino reunido com a garotada foi atrás de Pai Lula para saber do paradeiro dessa onça que andava atacando na redondeza.

- Pai Lula, uma tal duma onça maneta está atacando na redondeza!

- É mesmo, Nitolino?

- É Pai Lula, pode perguntar aos outros meninos e meninas, estão todos com medos. Os vizinhos e todas as pessoas que encontramos, estão com medo dessa onça faminta.

- Nossa! -, admirou-se Pai Lula. E começou a contar:

Essa onça maneta, bem, é um animal que perdeu uma das patas dianteiras. Identificam-no pelos vestígios. De espantosa ferocidade, força invencível e mais ágil, mais afoito, continuamente esfomeada, ataca rebanhos e currais, lutando rapidamente para desaparecer e retomar adiante o fio das mesmas proezas. Deixa rasto de suas três patas nas areias.

Não a fazem gigantesca nem com faculdades de metamorfose imediata em árrvore, pedra ou outro animal ou ave.

A onça-maneta se mantém onça e suas aventuras são deformadas pelo medo e pela fama.

Naturalmente a origem foi uma onça que, ferida numa pata ou tendo-a decepado em luta, conseguiu fugir dos caçadores e da matilha de cães e, por algum tempo, ferida e doída de raiva, guerreara fazendas e onceiros, numa despedida heroica.

Pai Lula disse isso e se calou, fitando nos olhos de cada um dos meninos e meninas amendrontadas que ali estavam com o relato.

- E o que isso quer dizer, Pai Lula? -, perguntou Nitolino inquieto.

- Isso quer dizer, Nitolino e todos vocês, que a onça maneta é uma lenda!

- E o que é uma lenda?

- É uma estória inventada pelos nossos avós para entreter as nossas tardes e noites com coisas do outro mundo e que nos metem medo porque não distinguimos o que é verdade e o que é inventado. -, disse Pai Lula e começou a rir!

- Aaaaaaaahh! -, fizeram todos.

FONTE:
ARAUJO, Alceu Maynard. Documentário folclórico paulista, 1952.
______; TABORDA, Vasco José. Estórias e lendas de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. São Paulo: Edigraf, s/d;

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Wednesday, January 14, 2015

O CACHORRO E A COTIA


- No tempo que os animais
Seguiam a civilidade
Do que na atualidade...

O tigre era juiz de direito,
O burro era doutor,
O macaco era escrivão,
A preguiça coletor

Nesse tempo o jovem rato
Habitara num chalé
E namorava a catita
A filha do punaré...

No decorrer do namoro o rato abusa do amor da noiva e foge. Põe-se tropa em sua procura e, ao narrar a sua prisão, mais uma vez se desvenda a alma irônica do sertanejo:

- Avistaram o criminoso
Lá em cima dum penedo:
Muitos soldados correram,
Outros morreram de medo...

Por fim, o rato resolve casar e, durante o banquete de noivado, o cachorro que era delegado de polícia, trava-se de razões com a cutia; alguns animais tomam o partido dela, outros o dele; há uma verdadeira conflagração:

- Desde esse dia ficaram
Os animais intrigados...

FONTES:
BARROSO, Gustavo. Terra do Sol. Rio de Janeiro: Benjamin de Aguila, 1912.
DANTAS, Paulo. Estórias e lendas do norte e nordeste. São Paulo: Edigraf, s/d;

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Tuesday, December 30, 2014

O UNIVERSO DE LUIS DA CÂMARA CASCUDO


A ONÇA E O BODE

O Bode foi ao mato procurar lugar para fazer uma casa.  Achou um sítio bom.  Roçou-o e foi-se embora.  A Onça que tivera a mesma ideia, chegando ao mato e encontrando o lugar já limpo, ficou radiante.  Cortou as madeiras e deixou-as no ponto.  O Bode, deparando a madeira já pronta, aproveitou-se, erguendo a casinha.  A Onça voltou e tapou-a de taipa.  Foi buscar seus móveis e quando regressou encontrou o Bode instalado.  Verificando que o trabalho tinha sido de ambos, decidiram morar juntos.

Viviam desconfiados, um do outro.  Cada um teria sua semana para caçar.  Foi a Onça e trouxe um cabrito, enchendo o Bode de pavor.  Quando chegou a vez deste, viu uma onça abatida por uns caçadores e a carregou até a casa, deixando-a no terreiro.  A Onça vendo a companheira morta, ficou espantada:

– Amigo Bode, como foi que você matou essa onça?

– Ora, ora… Matando!… Respondeu o Bode cheio de empáfia.  Porém, insistindo sempre a Onça em perguntar-lhe como havia matado a companheira, disse o Bode:

– Eu enfiei este anel de contas no dedo, apontei-lhe o dedo e ela caiu morta.

A Onça ficou toda arrepiada, olhando o Bode pelo canto do olho.  Depois de algum tempo, disse o Bode:

– Amiga Onça, eu lhe aponto o dedo…

A Onça pulou para o meio da sala gritando:

– Amigo Bode, deixe de brinquedo…

Tornou o Bode a dizer que lhe apontava o dedo, pulando a Onça para o meio do terreiro.  Repetiu o Bode a ameaça e a onça desembandeirou pelo mato a dentro, numa carreira danada, enquanto ouviu a voz do Bode:

– Amiga Onça, eu lhe aponto o dedo…

Nunca mais a Onça voltou.  O Bode ficou, então, sozinho na sua casa, vivendo de papo para o ar, bem descansado.



LITERATURA ORAL NO BRASIL – No livro Literatura oral no Brasil, Luís da Câmara Cascudo aborda sobre as fontes da literatura oral, elementos e temas, participação indígena, fábulas, lendas, mitos, tradições, poética, sobrevivência afro-negra, permanência portuguesa, fontes impressas, os romances e sua sobrevivência, antologia do conto popular brasileiro, contos de encantamento, contos de exemplo e de animais, facécias, contos religiosos e etiológicos, ciclo da morte, poesia oral, poesia mnemônica, desafios, ciclo do gado, gesta dos valentes, cantiga social, autos populares e danças dramáticas, fandango ou marujada, chegança, congo ou congadas e bumba-meu-boi.


VAQUEIROS E CANTADORES – Neste livro o autor aborda os nativos da poesia tradicional sertaneja, poesia mnemônica e tradicional, romances, pé-quebrado, os ABC, pelos sinais e orações, ciclo do gado, o cantador, ciclo social, a cantoria, o desafio e um documentário trazendo os principais personagens da música e da literatura oral nordestina. 


LOCUÇÕES TRADICIONAIS NO BRASIL – Nesta obra revive o significado das expressões usadas pelo povo nordestino, trazendo o histórico de cada expressão e sua explicação, reunindo palavras e frases que são usuais nessa região e em todo país.

REFERÊNCIAS
CASCUDO, Luís da Câmara. Contos tradicionais do Brasil. Rio de Janeiro: Ouro: 1967.
______. Literatura oral no Brasil. São Paulo/Belo Horizonte: Itatiaia/EdUsp, 1984.
______. Vaqueiros e cantadores. São Paulo/Belo Horizonte: Itatiaia/EdUsp, 1984.
______. Locuções tradicionais no Brasil. Recife: EdUFPE, 1970.

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