BRINCARTE

BRINCARTE
BRINCARTE

Monday, October 22, 2012

ESCRITA INFANTIL



ESCRITA INFANTIL – Tratar da temática “Escrita infantil” considera-se a aprendizagem a partir da alfabetização e letramento, observando de que forma as crianças efetuam a aquisição da linguagem escrita, observando de que forma a criança constrói seu conhecimento sobre a escrita e quais podem ser as dificuldades detectadas para a realização deste processo. Estudos realizados com base nas teorias construtiva e sócio-interacionistas entendem que conhecer como se dá o processo de aquisição e desenvolvimento da língua escrita pela criança, no início de sua aprendizagem, e entender a natureza desse objetivo, a língua escrita, são questões fundamentais que o professor precisa saber, para entender e respeitar o processo e desenvolvimento da criança. A escrita, portanto, segundo Ferreiro (2001, p.10), pode ser concebida como um sistema de código e de representação: “Como código, os elementos já vêm prontos e como representação, a aprendizagem se constitui em uma construção pela criança. Ao trabalhar a escrita como código, o ensino privilegia os aspectos preceptivo e motor, relação grafia e som e o significado é desconsiderado”. Por essa razão, a escrita, nas idéias de Seber (1997, p. 222) deve ser considerada como “tendo posição privilegiada em todo processo de desenvolvimento” na progressão das notações gráficas das crianças. Com isso quer dizer a autora que o domínio da língua escrita é dependente de algumas habilidades, como a de reconhecimento de letras, exercício dos seus traçados, denominação dessas letras e das silabas que elas permitem compor, transcrição dos sons da fala em seus equivalentes gráficos ou o inverso. Isto porque, conforme Rego (1995, p.38) "As crianças descobrem sobre a língua escrita antes de aprender a ler". É que a autora entende na busca de estabelecer uma comparação entre o processo da aquisição da linguagem oral e o da escrita, ficou evidenciado que em seus estudos as crianças adquirem a linguagem oral quando envolvidas em contextos comunicativos em que essa linguagem é significativa para elas, da mesma forma pode-se constatar que, se uma criança vive numa cultura letrada, na qual ela pode presenciar ou vivenciar situações significativas de uso da leitura ou escrita, inicia-se aí o processo de aprendizagem dessa linguagem. Desse modo, se nas interações com os sujeitos da cultura, ela participa de situações onde se torna necessário, por exemplo, consultar placas de sinalização ou um catálogo para achar um endereço, ou ler um jornal para se informar sobre os acontecimentos diários, ou ler uma bula para se orientar sobre o uso de medicamentos, ou ler uma receita para fazer um bolo, ou anotar um recado ou fazer uma lista para não se esquecer de algo, ou escrever uma carta para se comunicar com alguém que está distante, ou redigir um aviso para informar as pessoas sobre algum imprevisto, ou mesmo se deliciar e "viajar" com histórias ou poesias, ela está tendo contato com diversos tipos de textos, necessários a alguma forma de interlocução através da escrita, apropriando-se progressivamente dos seus usos e funções e de suas estruturas próprias. Assim, para Deber (1997, p. 230): “A língua escrita é entendida como se reduzindo à aprendizagem de técnicas de codificação e decodificação, unidades sonoras sendo transformadas em unidades gráficas durante o ato de escrita e o inverso, em se tratando de leitura, respectivamente”. A partir disso Barbosa (1990) observando as idéias de Vygotsky e Bakhtin, traz a consideração de que a escrita é um sistema simbólico complexo e que o homem introduz no mundo símbolo através do sistema mental superior influenciado pela cultura e regido pela lei da internalização. O que leva More (1997) a expressar que a aprendizagem da língua escrita em sala de aula numa dimensão discursiva, mediado pela palavra e pelo outro, num processo interativo, marca a atividade mental da criança, pois o seu modo de pensar está impregnado no contexto e na dinâmica sócio-cultural. Por essa razão Móre (1997, p.79) entende que: “[...] é importante que a criança tenha uma relação de consciência no seu processo de aprendizagem da língua escrita, para que ela possa internalizar, monitorar e transferir aprendizagem, e assim, conseguir alcançar um grau mais elevado no domínio da linguagem. A compreensão da língua escrita vai ocorrer em função da língua falada, que funciona como elo mediador e vai deixando de ter esse função quando a criança assume a escrita como prática discursiva. A dimensão discursiva se faz presente possibilitando a compreensão da escrita do outro, e é através do outro que a criança percebe a necessidade de produzir uma escrita compreensível; sem a presença do outro, a criança não se desenvolverá nos seus primeiros rabiscos”. Tal posicionamento quer dizer, portanto, que, conforme a autora mencionada, a escrita é um objeto social construído ao longo da história da humanidade, surgida da necessidade de comunicação, interação e intercâmbio social, representando, por isso, o esforço da construção humana e a capacidade do seu desenvolvimento mental, uma vez que é portadora de significação, a sua apreensão não é decodificação, mas se faz presente o aspecto semântico de compreensão. Neste caso, defende a autora que a criança precisa entender a questão simbólica, compreender que a palavra representa um outro contexto e que a escrita é a representação da fala. Nessa condução Seber (1997): atenta para o fato de que a compreensão das crianças acerca do sistema representativo da escrita depende do desenvolvimento do pensamento como um todo, além da vivências delas com o material gráfico e que, por isso, os estudos que definem a escrita como um processo de desenvolvimento ressaltam a importância de se considerar modos distintos de organização conceitual se modificando de tempos em tempos, à medida que novos avanços ocorrem.

O LETRAMENTO - O letramento, conforme Vygotsky (1984, p. 75), representa: “[...] o coroamento de um processo histórico de transformação e diferenciação no uso de instrumentos mediadores. Representa também a causa da elaboração de formas mais sofisticadas do comportamento humano que são os chamados "processos mentais superiores", tais como: raciocínio abstrato, memória ativa, resolução de problemas etc”. Conceito esse que levou Soares (2001, p. 75) a considerar que o letramento: “[...] é o estado ou condição de que se envolve nas numerosas e variadas práticas sociais de leitura e de escrita [...] é um conjunto de práticas de leitura e escrita que resultam de uma concepção de o quê, como, quando e porquê ler e escrever”. É nesse sentido se adquire o entendimento de que as crianças vão se apropriando do sistema de representação dessa língua. É quando a criança passa a se apropriar dos aspectos gráficos correspondentes à linguagem escrita, deixando-se claro tratar-se de um complexo e dinâmico campo de aprendizagem que envolve a apropriação/reconstrução de vários aspectos: funcionais, textuais, gráficos e aqueles relativos ao sistema alfabético de representação. Assim sendo, para o autor mencionado, o letramento é definido como o resultado da ação de letrar-se, resultado da ação de ensinar e aprender as práticas sociais de leitura e escrita, sendo, ainda, o estado ou condição que adquire um grupo social ou indivíduo como conseqüência de ter-se apropriado da escrita e de suas práticas sociais.
A partir das idéias de Soares (2001) e Deber (1997), fica entendido que o letramento não é um método, não é uma didática, nem um novo modelo pedagógico, mas, essencialmente, uma concepção que vai gerar atitudes e direcionamentos ao fazer pedagógico. Ou, melhor dizendo, um comportamento que precisa ser mediado, sendo, pois um paradigma que vai orientar as decisões: ensinar a linguagem para uso, como prática. Dessa forma, para Seber (1997, p. 112) um dos procedimentos significativos que a criança adota numa determinada etapa do processo de aquisição da língua escrita é o de repetir várias vezes, com pausas e de forma quase inaudível, uma palavra.
Alfabetizar letrando para Soares (2001, p; 23) é contribuir para que as crianças saibam "fazer uso de diferentes tipos de material escrito, compreendê-los, interpretá-los e extrair deles informações". Isto quer dizer que alfabetizar letrando é desenvolver o trabalho de alfabetização enfocando os usos e as funções de língua, instrumentalizando os educandos para lidarem com situações práticas e cotidianas que envolvam a leitura e a escrita, sempre de forma contextualizada e significativa. É, ainda, conforme a autora mencionada, proporcionar condições para que o indivíduo – criança ou adolescente – tenha acesso ao mundo da escrita, tornando-se capaz, não só de ler e escrever, enquanto habilidades de decodificação do sistema de escrita, mas, sobretudo, de fazer o uso adequado de todas as suas funções em nossa sociedade. No entendimento de Ferreiro (1998), a alfabetização e o letramento têm conceitos distintos, mas que podem ser interligados; pois encontram-se grupos não alfabetizados com características que geralmente são atribuídos a grupos alfabetizados e escolarizados; assim, ser ou não alfabetizado não interfere no uso do raciocínio lógico, o que interfere é ser ou não letrado. Isto quer dizer, portanto, que o conhecimento do código da escrita conhecido como alfabetização é um encaminhamento para o uso social da leitura e da escrita que é o letramento.

A ALFABETIZAÇÃO - A formação do cidadão como sujeito ativo participante, conforme Ferreiro (1998), depende do sujeito letrado, ou seja, no que concerne ao fato de inserir a criança no letramento onde ela trabalha com as mais diferentes utilizações da escrita na sociedade. E para ser letrado precisa ser alfabetizado. E para Ferreiro e Teberosky (1989), alfabetizar significa conhecer o sistema lingüístico e sua relação com palavras, frases e textos, acreditando, portanto, que a alfabetização é a apropriação de um objeto conceitual, de um sistema de representação, é a aquisição da escrita enquanto aprendizagem de habilidades para fazer uso do lecto-escrita. Deixando entender que ser alfabetizado pode ser entendido como pessoas que possuem habilidades básicas para se adaptar à vida moderna, que na utilização da escrita uma aquisição de poder político, econômico e menta, e que é preciso ter a aquisição das formas de expressão contidas nos diferentes suportes e a valorização da estética, desenvolvendo suas habilidades de expressar sentimentos, provocar ambigüidades e fazer uso da imaginação ao redigir um texto. Para Seber (1997, p. 231) o ideal de transformar a alfabetização em sucessivos passos previamente ordenados se combina com um outro, que é dar um novo impulso à educação pré-escolar, até então negligenciada, em especial àquela destinada às crianças pertencentes às classes menos favorecidas. Tais objetivos impulsionam as pesquisas psicopedagogicas, orientando-as em dois sentidos complementares. O que, no caso de ocorrência do erro em sala de aula, Seber (1997, p 89) chama atenção para o fato de que: “O professor não precisa corrigir as escritas infantis porque nelas não há nada de errado, no sentido comum da palavra. O que existe é apenas certa distancia separando as produções gráficas atuais do que a própria criança fará no futuro e, vale ressaltar, com entendimento, porque as hipóteses que permeiam as condutas são construídas e reconstruídas por ela”. Isso porque de acordo com Soares (2001, p.56), o critério de "certo" ou "errado" é uma questão política, econômica e social o que ela a entender que na sala de aula, o professor, ao discriminar a forma de falar das crianças, contribui para o seu fracasso uma vez que nega toda a sua cultura e identidade lingüística. Nesse mesmo enfoque, Cagliari (2002, p.20) enfatiza que: “[...] a criança que entra na escola e fala um dialeto estigmatizado pela sociedade leva um grande choque, ao perceber que tudo que ela conquistou e sabe sobre a língua é desconsiderado e, descobrindo logo que não pode corresponder ao que o professor espera dela, nesse jogo desonesto, o melhor que pode fazer é desistir. Evade aumentando o número de crianças consideradas fracassadas”. Com isso, na construção da escrita fica entendido que, as crianças devem ser construtora do saber e, nesse processo, cabe ao professor organizar a situação de aprendizagem de forma desafiadora e significativa para que a criança possa ter uma ação ativa e reflexiva. As pessoas têm por natureza a vocação de ser sujeito, ter autonomia nos seus atos, em tudo que faz. Assim, quando o professor proporcionar a leitura e a escrita autônoma, a criança, com certeza, se sentirá motivada e terá desejo de aprender cada vez mais , se esforçará para construir seu próprio conhecimento, procurará evoluir nos seus estudos , aprenderá caminhar por si mesmo.
Por fim, para inserir a criança no mundo da escrita é preciso atender o que está previsto nos PCN´s (BRASIL, 1998, p. 38) ao considerar que: O professor deve tomar alguns cuidados para envolver o aluno no processo de construção da escrita, tais como criar um ambiente letrado, em que a leitura e a escrita estejam presentes mesmo antes que a criança saiba ler e escrever convencionalmente; considerar o conhecimento prévio das crianças, pois, embora pequenas, elas levam para a escola o conhecimento que advém da vida; participar com as crianças de práticas de letramento, ou seja, ler e escrever com função social; utilizar textos significativos, pois é mais interessante interagir com a escrita que possui um sentido, constitui um desafio e dá prazer; utilizar textos reais, que circulam na sociedade, e utilizar a leitura e a escrita como forma de interação, por exemplo, para informar,convencer, solicitar ou emocionar.
A partir disso, passa-se a entender que as crianças interagem com o mundo letrado através da escrita na sala de aula, pela prioridade dos trabalhos voltados para a construção da autonomia da criança no desenvolvimento do brincar, na perspectiva do autocuidado, no desenvolvimento da linguagem oral, visual, corporal, musical que atuam juntamente ao desenvolvimento da linguagem escrita, na a vivência da criança estruturando sua corporeidade na explicação de movimentos no espaço, na compreensão e ampliação da cultura na qual esta inserida e explorando o mundo físico e social, e de forma interdependente vai estruturando o pensamento e se relacionamento com o mundo ao seu redor. Mediante isso, percebe-se que a pauta das ações pedagógicas que se relacionam com a linguagem escrita precisam estar sintonizadas com as múltiplas dimensões das interações sociais nas condições adequadas que possibilitem a construção do conhecimento das crianças. Isto porque o professor precisa neste caso possibilitar situações e interações grupais nas crianças, possibilitando a apropriação conjunta do saber individual no coletivo no meio da brincadeira e das movimentações relacionadas com o desenvolvimento psicomotor.

BIBLIOGRAFIA
BARBOSA, José Juvêncio. Alfabetização e Leitura. São Paulo: Cortez, 1990.
BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC/CNE. 1998
CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e Lingüistica. São Paulo: Scipione, 2002.
FERREIRO, Emília. Reflexão sobre alfabetização. São Paulo: Cortez, 2001.
_____. Educação infantil, muitos olhares. São Paulo: Cortez, 1998.
FERREIRO, Emilia; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.
MORE, Sônia Maria Coelha. O Mundo da Escrita e Sua Concepção sócio-histórica. Nuances – Tevista do Curso de Pedagogia. Presidente Prudente, v. 3, n. 3, p. 78-85, 1997.
REGO, L.B. Descobrindo a língua escrita antes de aprender a ler: algumas implicações pedagógicas. Caderno do Professor. Secretaria do Estado de Minas Gerais. 2003.
SEBER, Maria da Gloria. A escrita infantil: o caminho da construção. São Paulo: Scipione, 1997.
SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica. 2001.
VYGOTSKY, Liev Semionovich. Estudos sobre a história do comportamento: Símios, homem primitivo e criança. Porto Alegre: Artes Médicas, 1984.

Veja mais na área de Educação do Pesquisa & Cia.