O
LORDE DERMEVAL – (por Luiz Alberto Machado) – Conheci o saudoso
Dermeval há muitos anos. A sua presença era constante, isso à época em que eu era
um quase adolescente copista no cartório do meu pai, pelo início dos anos 1970.
Ele chegava com a elegância de sempre: terno e gravata - chovesse ou fizesse
Sol, fosse meio dia em ponto ou em quaisquer horas do dia, era sempre assim:
educadíssimo com sua bengala e cerimonioso na solicitação. – Seu pai está? Sim.
E ele: - Rubinho, você me autoriza recitar um dos seus sonetos hoje à noite
numa celebração? - Ora, Dermeval, já autorizei de forma irrestrita tudo o que
quiser, homem! -, respondia meu pai. Ele solenemente agradecia, despedindo-se
com um até já afetuosíssimo. Para se ter uma leve ideia das dele, os eventos só
começavam considerando duas coisas, assim: nos casamentos não podiam faltar nem
ele nem a Wedding March in
C major (1842), de Felix
Mendelssohn; nas festas de debutantes, nem ele nem as Valsas de Strauss; no
coreto da praça, nem ele nem maestro Zé da Justa, com a Banda 15 de novembro.
Se fosse nos bailes, ele era o primeiro dançarino, insuperável. Em suma: não
havia festa respeitável que não contasse com a sua presença nas honras solenes.
Como carteiro, haviam pessoas que só recebiam a sua correspondência em troca de
uma poesia, a exemplo de meu pai: - Tem um poema pra mim? Não. Então não há
cartas pra você. Oxe! Era. Quando inventei de fazer teatro lá pelos idos de
1972, ele foi um dos primeiros a chegar junto e me dar dicas a respeito,
acompanhando-me ao longo dos anos. Só não queria conversa comigo quando o filho
dele, Grilo Carteiro, estava por perto: era maloqueragem pura da gente; ele,
sério inarredável. Foi funcionário público dos Correios, ator, dançarino, poeta,
declamador, orador maçon (tendo sido um dos veneráveis da Loja da Fraternidade
Palmarense nº 1), afora um tanto de coisas em que ele se envolveu, tanto em
Palmares, como em Vitória de Santo Antão, e em outras cidades. O que tenho de
mesmo são muitas saudades de vê-lo chegar, qual lorde inglês, perguntando pelas
novidades e me contando das suas. Salve, salve, Dermeval!
Poema
Borboletas, de Dermeval Alves de
Miranda, publicado no Jornal Diário de Vitória, 1925, recolhido por Basílio
de Oxóssi).
DERMEVAL
ALVES DE MIRANDA - (Material recolhido por Basílio de Oxóssi) – Dermeval Alves de Miranda, natural da cidade Vitória de Santo Antão, nasceu provavelmente no
início do século 20. Era filho do João Alves de Miranda e D. Virgínia Alves de
Miranda, tendo, como irmão, Adhemar Alves de Miranda. Casou-se com Esmeraldina
G. de Miranda e foi funcionário dos Correios, em Vitória e Nazaré da Mata,
sendo depois transferido para os Correios e Telégrafos, no Município dos
Palmares, em 1939, quando então participou da fundação do Centro de Cultura dos
Palmares e eleito como seu 1º Secretário. Foi ativo na vida cultural e
artística dos municípios de Nazaré da Mata, Palmares e Vitória de Santo Antão.
Em Vitória foi membro fundador do Grupo Theatral de Amadores Vitorense, que
depois mudou o nome para “Grupo Theatral Leopoldo Fróes”. Em 1952, participou
da comissão de organização das festividades do 1º ano de administração do prefeito
Luiz Portela de Carvalho. Era membro ativo do Rotary Clube dos Palmares e da Loja Maçônica Fraternidade Palmarense, na qual foi empossado, em 1968,
como Venerável Mestre, em substituição ao Virgínio Domingues. Neste mesmo ano participou
das atividades de restauração do antigo e histórico Club Literário dos Palmares
e sua Biblioteca. Em 1969, foi um dos responsáveis pela construção da Escola
Estadual Fraternidade Palmarense, no bairro São Cristóvão (antiga Cohab I),
junto ao Governo de Pernambuco, através da Secretaria Estadual de Educação. Era
membro da Comissão de Desenvolvimento
Econômico e Social dos Palmares (CONDESPAL)
e da Comissão de Desenvolvimento da Mata Sul (CODEMAS). Ele era um incansável batalhador pelo desenvolvimento
econômico, social e cultural do Município dos Palmares e da Mata Sul do Estado
de Pernambuco, deixando um grande legado para as gerações palmarenses.
Vídeo:
edição de Sandra Cristina Pereira Lins, gestora da Escola Telma Leandro
– Palmares – PE.
CLUBE
DE LEITURA (RELATO DE ATIVIDADE) - A responsável pelo projeto e pelas orientações pedagógicas
para professores e educadores sociais das escolas que integram o Programa
Escolas Municipais de Tempo Integral, a professora e técnica da Semed-Palmares,
Sandra Cristina Pereira de Andrade, teve a iniciativa de desenvolver o
Clube de Leitura, com o intuito de deslanchar o protagonismo
estudantil, por meio do desenvolvimento e compartilhamento da paixão pelos
livros, e que, desde o início das atividades, tem demonstrado um impacto
significativo na comunidade escolar.
Assim, o Clube de Leitura é uma iniciativa da Semed-Palmares,
com o objetivo de incentivar o
hábito da leitura e o compartilhamento de conhecimentos entre os estudantes. As
suas atribuições são catalogar os livros que serão lidos pelo clube e aqueles
disponíveis para empréstimo, além de organizar caderno de empréstimo, momentos
de leitura coletiva e debates sobre livros, afora produzir resenhas e
recomendações para incentivar outros alunos a lerem, criando espaços
aconchegantes para leitura na escola, no sentido de promover eventos
literários, como saraus e encontros com escritores locais. Além disso, o projeto é um grande impulsionador do protagonismo
estudantil. As alunas se sentem verdadeiramente responsáveis pelo sucesso do
clubinho, buscando constantemente novas formas de engajar os colegas. Muitas
vezes, a técnica é convocada pelas alunas, para reuniões rápidas de
alinhamento, mostrando um senso de organização e liderança impressionantes. Ressalta
a profissional que o Clubinho da Leitura não é apenas uma atividade, mas
uma prova viva de como a paixão pela leitura, quando incentivada, pode
transformar os estudantes em protagonistas de seu próprio aprendizado e
inspirar uma comunidade inteira.
CLUBINHO
DE LEITURA DA ESCOLA DERMEVAL MIRANDA – A professora Ana Paula da Silva Uchôa Rodrigues. Informa que a Escola Dermeval Alves de Miranda é uma escola em tempo integral, que desenvolve
e acompanha o Clubinho da Leitura, composto por um grupo de 7 alunas do
4º ano dos Anos Iniciais, a exemplo das alunas Ana Beatriz da Silva Mota,
Clara Netilly Lins de Moraes, Danielly Louise Constantino da Silva, Emily
Sophia Oliveira da Silva, Maria Heloísa Alves da Silva, Maria Vitória da Silva
Barbosa e Nallany Letícia Lopes dos Santos.
Diariamente, durante o período de descanso, o
grupo se reúne no espaço em frente à sala dos professores, transformando-o em
um verdadeiro ponto de encontro para a literatura. As atividades são conduzidas
de forma autônoma e criativa pelas próprias alunas. Elas se dedicam à leitura e
escuta de diversas histórias, aprimorando suas habilidades de interpretação e
fluidez. Em seguida, as meninas se tornam verdadeiras "agentes de
propaganda", elaborando pequenas apresentações orais para provocar o gosto
pela leitura nos estudantes mais novos, do 1º ao 3º ano. A forma de expressão
utilizada por elas valorizando o que há nos livros, destacam os pontos mais
divertidos ou emocionantes, sendo, pois, uma das estratégias mais eficazes para
atrair a atenção dos pequenos. Essa dinâmica tem fomentado um notável
desenvolvimento de habilidades em nossas estudantes. A prática contínua de
leitura e a necessidade de comunicar as histórias de forma atraente têm
fortalecido suas práticas de produção textual e oral.
Durante
esses encontros, o incentivo à leitura se alia ao diálogo e à troca de ideias.
Os temas das histórias são discutidos, surgem reflexões, e o momento da fala se
transforma em um espaço rico de interação, no qual a escuta, a expressão e o
respeito pelo outro são constantemente valorizados.
A
cada encontro, o clubinho reafirma seu compromisso de tornar a leitura uma
experiência prazerosa e significativa para todos.
Atualmente,
as integrantes do clube estão vivenciando uma experiência especial: a criação
de um conto coletivo. Essa atividade estimula a imaginação, a cooperação e o
gosto pela escrita. As reuniões acontecem no corredor da escola, onde as
componentes se organizam para buscar estudantes do 1º ao 3º ano, que apresentam
dificuldades de leitura ou que, apesar de saberem ler, ainda não têm prazer
pela prática.
Assim,
o Clube da Leitura da Escola Dermeval Alves de Miranda tem desenvolvido um
trabalho enriquecedor no ambiente escolar, assumindo como principais
atribuições conhecer e divulgar os livros disponíveis para empréstimo,
organizar momentos de leitura coletiva entre estudantes de diferentes turmas e
promover resumos orais das histórias lidas. Além disso, cria oportunidades para
que outros alunos possam ler e se apresentar após a leitura, explorando
diversas formas de contação de histórias.
Imagem:
Professora Ana Paula com integrante do Clubinho.
A
PROFESSORA ANA PAULA – A professora Ana Paula da Silva Uchôa Rodrigues desde muito jovem tem se dedicado ao seu ofício, em
virtude de ter sempre o magistério como o seu maior sonho, razão pela qual há
23 anos, vem construindo uma trajetória como educadora, formando gerações de
estudantes com dedicação e amor à profissão. Ela iniciou a sua carreira na
Educação Infantil, fase que ela considera um verdadeiro “laboratório do saber”,
na qual os desafios surgiam constantemente, mas também onde as estratégias
criativas se transformavam em soluções enriquecedoras. Ao longo dos anos, ela
teve oportunidade de atuar nos anos iniciais do Ensino Fundamental, no Ensino
Médio e na Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI), sempre compreendendo
que cada etapa traz consigo aprendizagens únicas e significativas. Buscou ao
longo da sua caminhada constante aprimoramento, participando de formações
importantes que marcaram sua prática pedagógica, como o Programa de Formação de
Professores Alfabetizadores (PROFA), que a possibilitou compreender melhor as
fases da leitura e escrita, e o Programa Qualiescola, voltado para o
fortalecimento das práticas pedagógicas e para a melhoria da qualidade do
ensino. Com Licenciatura Plena em Ciências Biológicas e pós-graduação em
Biologia Vegetal, ela segue atuando na docência com a convicção de que ser
professora é mais do que ensinar conteúdos: é vivenciar momentos de aprendizagens
compartilhadas, transformar vidas e também ser transformada por cada estudante
que passa pelo nosso caminho. Atualmente, exerce a função como Educadora de
Apoio, em uma Escola em Tempo Integral, onde tem vivenciado experiências
enriquecedoras por meio dos “Clubinhos”, em especial o da Leitura. Nesse espaço
de trocas e conversas com os estudantes, ela encontra um verdadeiro tesouro de
conhecimento, reafirmando com convicção de que a educação deve tornar cada
aluno protagonista de sua própria aprendizagem.
Imagem:
O gestor da Escola, Alexandre Rodrigues, acompanhando aluna no Ler Bem da
Semed, no Observatório de Linguagens.
O
GESTOR DA ESCOLA & O CLUBINHO DE LEITURA – O professor Alexandre José da Silva Rodrigues, que é o gestor da escola, assim se
pronunciou a respeito do Clubinho de Leitura: “O Clube de
Leitura da Escola Dermeval Alves de Miranda, que atende
estudantes do 1º ao 5º ano, tem se consolidado como um espaço essencial para a
formação leitora de nossas crianças. O protagonismo dos alunos é o grande
diferencial dessa iniciativa, pois cada encontro é construído a partir da
participação ativa e do entusiasmo deles. Entre os exemplos que merecem
destaque está a estudante Emily
Sophia, cuja dedicação, envolvimento e amor pelos livros têm
inspirado seus colegas e fortalecido o espírito colaborativo do grupo. Sua
postura demonstra que, desde cedo, nossos estudantes são capazes de assumir
papéis de liderança, contribuindo para um ambiente escolar mais rico, criativo
e comprometido com o desenvolvimento integral”.
A PROFESSORA
SANDRA ANDRADE – A técnica da
Semed-Palmares, professora Sandra Andrade informou a existência de outros
clubes que incorporam o Programa Escolas Municipais de Tempo Integral, sob sua
responsabilidade, visando o protagonismo infantojuvenil.
Entre eles há o Clube de Recepção, com
o objetivo de acolher e integrar novos estudantes, visitantes e a comunidade
escolar. As atribuições são de recepcionar novos estudantes, apresentando a
escola e seus espaços; auxiliar na adaptação dos novatos, promovendo momentos
de integração. (turmas do 1º e 5º anos normalmente são novatos); criar um mural
ou cartilha com informações úteis sobre a escola; participar da organização de
eventos e recepções especiais (reuniões de pais, visitas, etc.) e trabalhar valores
como empatia e respeito no acolhimento de todos.
O Clube de Horta e Jardinagem (ou
agroecologia), com o objetivo de promover a conscientização ambiental e o
contato com a natureza. Suas atribuições são planejar e cuidar da horta
escolar, escolhendo as plantas a serem cultivadas e como será utilizada; zelar
pelas plantas do jardim e pelos espaços verdes da escola; aprender e ensinar
técnicas básicas de cultivo, como adubação e rega; registrar o crescimento das
plantas e compartilhar informações com os colegas (produção de cartazes) e
estimular a sustentabilidade, incluindo o reaproveitamento de materiais e
compostagem.
O Clube de Jogos e Recreação tem o
objetivo: promover a socialização por meio de jogos e atividades lúdicas. As
atribuições são catalogar e organizar os jogos disponíveis na escola; zelar
pelos jogos e incentivar o uso responsável dos materiais; elaborar um
calendário de jogos e atividades recreativas para serem vivenciadas durante a
semana nos intervalos; ensinar regras e dinâmicas de jogos variados e promover
torneios e desafios de forma saudável e colaborativa.
O Clube de Joguinhos (1º Ano - 6 anos)
tem o objetivo de estimular o raciocínio e a socialização dos alunos mais novos
por meio de jogos adequados à idade, com as atribuições de selecionar e
organizar jogos como jogo da memória, quebra-cabeça, trilha e outros lúdicos
voltados à faixa etária; criar momentos de interação e aprendizado por meio dos
jogos; ensinar regras de convivência e respeito durante as atividades e
estimular a criatividade e o trabalho em equipe.
O Clube da Harmonia e cultura de paz
tem o objetivo de trabalhar a cultura de paz, as competências socioemocionais e
a convivência harmoniosa, com atribuições tais como: desenvolver atividades que
promovam empatia, respeito e trabalho em equipe; criar campanhas de incentivo à
cultura de paz na escola; realizar rodas de conversa sobre convivência e
resolução de conflitos; mediar situações de desentendimentos entre alunos,
promovendo o diálogo e incentivar a prática da gratidão e do reconhecimento de
boas ações. (criar a caixa ou o pote da gratidão)
Imagem:
O coordenador do Observatório, Admmauro Gommes e integrantes.
OBSERVATÓRIO
DE LINGUAGENS DA SEMED-PALMARES – O Observatório de Linguagens é um espaço criativo
que reúne diversas formas de expressão artística, com o objetivo de
potencializar as habilidades dos estudantes, envolvendo-os de forma ativa,
tendo apoiado autores locais na publicação de suas obras, além de promover
oficinas e palestras para professores.
É
coordenado pelo poeta e professor Admmauro Gommes, que articula relações com a
Biblioteca Fenelon Barreto, com a Coordenação de Cultura da Semed-Palmares, com
a Fundação Hermilo Borba Filho e Academia Palmarense de Letras (APLE). Além
disso, atua na Feira de Literatura e Artes dos Palmares (FLIARP) e do Encontro
Nacional de Escritores de Pernambuco, tem apoiado eventos do Pintando na Praça e
a iniciativa do Instituto de Belas Artes do Una (IbaValeUna), contemplando
parceiros como o Museu do Barro.
No
Observatório são realizadas atividades que contemplem tanto a Arte, como a
Leitura e a Escrita, a exemplo do workshop ArtExpressão, desenvolvido com a
linguagem dos gêneros textuais e do projeto Arte nas Escolas, estimulando professores a utilizarem o
talento artístico do estudante como ferramenta pedagógica.
A SEMED & A
SECRETÁRIA ELIZÂNGELA NEVES – Todas essas atividades aqui assinaladas são desenvolvidas pel Semed-Palmares,
que é comandada pela Secretária Municipal de Educação, a competentíssima
professora Elizângela Maria das Neves Lopes,
e que tem atuado com determinação nos projetos educacionais do Município e
corroborado o desenvolvimento das atividades culturais e artísticas no seio
escolar palmarense. Exemplo disso foi a publicação da primeira edição do volume
Palmares é Terra de Cultura e de Grandeza – Valorização cultural, histórica
e geográfica (Trato Editora, 2024), destinado ao Ensino Fundamental e do
livro Registros Mágicos de Palmares: Terra de Cultura e de Grandeza
(Trato Editora, 2024), destinado ao público infantojuvenil palmarense, entre
outras ações que são fruto da dinâmica atuação da secretária e toda sua equipe.
Veja mais arte na educação clicando aqui e aqui.